quinta-feira, junho 25, 2009

Por que eu não vi o Coliseu?

Depois de uma noite mal dormida eu já sabia que teria que sacrificar algum dos meus planos. Chegaria em torno de uma da tarde em Roma e poderia me mandar para a Toscana apenas no final da tarde. Passaria algumas horas na cidade, tempo suficiente para conferir o seu maior monumento, o Coliseu. Pelo menos este era o meu plano principal.

A viagem entre Lisboa e Roma foi torturante. Desde a decolagem eu só pensava em chegar à capital italiana e não ter que embarcar em mais nenhum avião. Do alto eu vi a linda Sardenha, com suas praias maravilhosas. Senti um alívio gigantesco quando um dos comissários anunciou o pouso.

Demorou para mim pegar as malas. Aliás, o sistema de entrega de bagagens do Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci deixa um pouco a desejar. Estava receoso em relação ao meu italiano e já sentia um pequeno medo por estar, pela primeira vez, sozinho em um país que não fala a minha língua.

Logo fui descobrir que meu italiano estava bom. Pouco antes do desembarque fui parado por um policial que me fez as perguntas básicas. Deu uma boa olhada para as minhas malas, mas não as abriu. Me virei bem.

Na saída mais uma prova de que podia ficar um tanto quanto sossegado em relação ao novo idioma. Um motorista de táxi veio me oferecer uma corrida e eu, logo após negar, já emendei: “Dovè la stazione? (Onde é a estação)”. E não é que ele me explicou direitinho, tanto que nem errei o caminho? Comprei uma passagem para o Leonardo Express (que liga o aeroporto a Roma Termini, principal estação da cidade), e embarquei.

Neste momento eu percebi que logo teria um fardo a carregar, literalmente. Levar mais de 30 quilos de bagagem não é brincadeira. Fui descobrir isto na pior hora possível. Não havia outro remédio.

Além da mochila que levava nas costas (com 15 quilos), carregava mais uma mala (14 quilos) e uma mochila (7 quilos) nas mãos. Com o tempo as alças da mala foram ferindo os meus dedos e meus músculos começaram a doer. Imaginem a cena: eu, em Roma Termini, não conseguindo carregar a minha bagagem.

A vontade era largar tudo em um canto e ir embora. Como não era possível, e eu muito apegado às minhas coisas, continuei a carregá-las. Foi inevitável. Quem passou do meu lado, sem dúvida, teve um pouco de dó. Eu carregava as malas durante uns 30 segundos e parava para descansar. Não conseguia ir além. Na somatória dos problemas eu não sabia onde tinha que ir para comprar a passagem de trem e a estação era enorme. Me perguntei mais de uma vez: “o que estou fazendo aqui?!”

Nesta hora já sabia que minha visita ao Coliseu (há alguns quarteirões dali) era inviável. Mesmo se deixasse a bagagem no guarda-volumes, estava esgotado fisicamente. Resolvi economizar alguns euros (oito só para deixar as malas lá na estação), esperar o trem e me mandar para a Toscana. Aliás, da onde eu iria ficar até Roma eram apenas 15 euros, e eu poderia voltar em uma outra oportunidade, com mais calma. Assim deixei a capital italiana, rumo ao norte do país.

sábado, junho 20, 2009

Como irritar um português

Após uns 20 minutos de espera, foi a minha vez de apresentar os documentos. Um novo guichê foi aberto bem na minha vez. Logo após a mulher da minha frente se dirigir ao seu próprio, me dirigi a esta nova porta. Olhei para o oficial português e disse “bom dia!”, mas ele estava entretido conversando com o seu colega ao lado e não respondeu. Apenas pegou o meu passaporte e começou a olhar.

- Bom dia (falou seco, ríspido e rápido), qual é o motivo da viagem (com o mesmo tom)?

- Vou para a Itália reconhecer a cidadania italiana.

Logo fez uma cara de quem comeu e não gostou, e respondeu – Mas isto não se faz aqui, você tem que fazer lá no consulado (já com um humor de quem tinha acabado de acertar o dedão na cama, acentuando o sotaque português).

- Não, eu tenho que apresentar o pedido ao comune italiano – respondi.

- Mas para que você quer a cidadania? (com o mesmo tom)

Neste momento não acreditei que teria que responder aquela questão cretina. Antes, porém, de eu poder pensar em algo educado para responder, ele prosseguiu.

- Você quer a cidadania para vir morar aqui?

- Não sei o que vou fazer com a cidadania. Posso vir. Talvez estudar, mas não sei ainda. (tentei dar um tom de ‘não é da sua conta’).

- Mas por que você pode ter esta cidadania – questionou levantando um pouco a voz.

- Porque meu avô era italiano.

- De onde?

- Treviso, Itália – queria falar ‘Treviso, Vêneto’ mas estava com um misto de nervosismo e muita raiva.

Baixou o olho, esperou uns segundos - Vai ficar quanto tempo?

- Até dia 10 de setembro.

- Até dia 10 de setembro? repetiu com tom de desdenho – Onde vai ficar?

- Em Livorno.

- Você tem parentes aqui?

- Não, vou ficar na casa de um amigo – Desta vez eu antecipei – Eu tenho uma carta, o sr. quer ver?

Ele franziu a testa e, sem olhar para mim, respondeu – Sim, dê-me.

Peguei calmamente a carta na minha mochila e lhe entreguei. Ele começou a analisá-la quando o seu rosto começou a mudar de expressão.

- Mas isto aqui não vale para nada – com olhos cheios de cólera e começando a gritar – Esta em italiano, como que o sr. apresenta uma carta em italiano a um oficial português? Isto serve lá na Itália, mas aqui não. E blá, blá, blá... (começou a falar pelos cotovelos e me dar um sermão monumental).

Eu tinha dois caminhos: esnobar a raiva dele e falar que estou indo para Itália, então a carta tem que estar mesmo em italiano, ou admitir que isto tinha sido um erro. Já que as coisas não estavam boas para o meu lado, preferi a segunda opção.

- É, realmente foi um erro. Eu iria pegar um vôo direto e acabei mudando de última hora.

Mas o oficial não me escutava, continuava reclamando, falando e não me deixava explicar. Sem mais nada o que fazer, olhei para a cara dele, e o esperei terminar.

- Blá, blá, blá, e esta carta não vale nada – parou.

Contorci os lábios para abaixo e abri as mãos como dizendo “o que o sr. quer que eu faço”. Ele respirou fundo, e, pela primeira vez desde que eu havia lhe dado a carta, falou sem gritar.

- O que o sr. faz no Brasil?

A-há, ponto para mim! Desde o início estava esperando esta pergunta.

- Sou jornalista.

- Ah, é jornalista? – questionou novamente fazendo descaso.

- Sim, sou jornalista – E com um só movimento peguei a minha carteira internacional de jornalista e a coloquei entre os seus olhos e o meu passaporte, já que neste momento ele estava analisando o meu documento de viagem.

- Ele a abriu, verificou e não falou mais nada. Olhou para o meu passaporte. Encheu os pulmões de ar, fazendo menção de que falaria algo, mas desistiu. Pegou o carimbo e bateu no meu passaporte.

- Passe – resumiu, com tom de ressentimento e entregando de volta meus documentos, sem voltar a olhar para os meus olhos.

Peguei todos eles e prossegui. Estava dentro.

Em terras portuguesas

Era seis e meia da manhã, horário local, quando desembarquei em Lisboa, capital portuguesa. Fiquei aliviado em esticar as pernas já que havia passado às últimas nove horas sentado em um assento de classe econômica do Airbus A330 da companhia TAP. Só levantei uma única vez, para utilizar o banheiro, já no final da jornada.

Estava com um pouco de sono, já que não tinha pregado os olhos durante o vôo. Mesmo assim, como no Brasil o relógio ainda marcava duas e meia da madrugada, horário que normalmente vou dormir, o cansaço de permanecer em uma poltrona apertada me incomodava mais do que a falta de horas de sono.

Depois de muita confusão, com gente atropelando outras pessoas para descer primeiro (normal no final dos vôos, principalmente os internacionais), atravessei a porta e desci lentamente as escadas até o solo. Apesar daquilo tudo ser estranhamente familiar, já que todas as placas estavam escritas em português e conseguia entender sem nenhum problema o que as pessoas diziam, logo me deparei com uma cena estranha.

Pessoas uniformizadas levantavam placas escritas (Brussels, Paris-Orly, Rome) e gritavam o nome das cidades. “Conexão para Roma, Paris Orly e Bruxelas”, insistiam. Parecia que estava na rodoviária de Goiânia, com um bando de gente gritando “Brasília”, “Goiás” ou até “Mozarlândia”. Ou, se quiserem ir mais a fundo, podemos comparar com a Bolívia, com funcionários das empresas de ônibus gritando o nome das cidades andinas.

Mesmo com um bilhete para Roma em mãos, resolvi ignorar os chamados. Peguei o ônibus e segui para o terminal de passageiros. No meio do caminho cheguei a pensar que tinha feito mal, mas foi só chegar no hall de entrada e já encontrei um outro homem fazendo o mesmo ‘serviço’. Desta vez perguntei, e ele me indicou o lugar na fila da imigração.

A minha primeira impressão de Portugal foi boa. Na imigração havia uma fila apenas para cidadãos de países de língua portuguesa. Confesso que me senti especial, já que ela era um pouco menor, enquanto canadenses, australianos e até estadunidenses tinham que pegar a fila normal. Pena que foi apenas uma primeira impressão.

quarta-feira, junho 17, 2009

Para não se esquecerem

O mundo é mesmo intrigante. Depois de viajar milhares de quilômetros, cheguei em um lugar muito estranho: exatamente pelo fato de ser tão parecido com a minha própria casa. Acho que esta é a principal observação que faço das pouco mais de 24 horas que estou na Itália.

Claro, há várias diferenças, mas, no geral, não muda tanto do Brasil. Tanto que, de vez enquando, me esqueço que estou tão longe da minha cidade. Parece que vou atravessar a rua, pegar meu carro, virar a esquina e chegar na praça Universitária, ou na rua de casa.

A viagem foi ótima, graças a DEUS!! Sair de casa é sem dúvida o melhor combustível para todo jornalista. Em pouco tempo já tenho várias histórias para contar. Vou deixar, porém, para a próxima. Por enquanto fica algumas recomendações, para que ninguém se esqueça, principalmente eu:

- Nunca entrar na Europa por Portugal;
- Dormir bem antes de pegar um vôo de longa duração, já que você não vai conseguir dormir durante a viagem;
- Se o vôo for a noite, prefira poltrona de corredor. Na janela não se vê nada e não dá para esticar as pernas;
- Os 32 kg é apenas o máximo da bagagem que normalmente é permitida em vôo internacional. Ou seja, você pode levar menos. Melhor: nunca leve toda a cota se estiver sozinho.
- Ser jornalista serve para algum coisa (é só uma brincadeira!! Defensores da profissão: eu gosto e também defendo o jornalismo);

sábado, junho 06, 2009

Resumo do Brasileirão - Maio/2009

Rodadas jogadas: 4;

Líder: Internacional – 12 pontos (100% de aproveitamento);
Libertadores: Vitória (9 pontos), Santos (8 pontos) e Náutico (8 pontos);
Rebaixamento: Botafogo (3 pontos), Sport Recife (2 pontos), Atlético-PR (1 ponto) e Coritiba (1 ponto);

Maior goleada até o momento: Fluminense 1 X 4 Santos – 24/05/2009, no Maracanã, Rio de Janeiro;

Ataque mais positivo: Santos - 11 gols
Melhor defesa: Internacional – 1 gol

Pior Ataque: Fluminense, Corinthians e Botafogo – 3 gols
Defesa mais vazada: Coritiba – 11 gols

Melhor público até o momento: 68.217 em Flamengo 2 X 1 Atlético-PR, no Rio de Janeiro, dia 31/05/2009;
Pior público até o momento: 1.939 em Santo André 1 X 1 Botafogo, em Santo André, dia 10/05/2009;

Artilheiro(s): Felipe (Goiás) e Marcelinho Paraíba (Coritiba), 4 gols;

Campeonato Brasileiro - 4a Rodada

Estava devendo, já que devido a escolha das sedes da Copa 2014 os meus posts do Campeonato Brasileiro atrasaram um pouco.

Coritiba 1 X 3 Goiás – O time goiano jogou um primeiro tempo perfeito, jogando pelas duas alas e acertando bem as finalizações. Virou com 3 a 0, com o jogo praticamente definido. No segundo tempo, viu o Coritiba diminuir, mas estancou bem as tentativas de reação dos paranaenses.

Atlético-MG 0 X 0 Santo André – O empate mostra a força do time paulista e abastece ainda mais a tese de que a equipe poderá se manter na série A, para 2010. Mesmo com Celso Roth, o Atlético ainda não se encontrou.

Botafogo 2 X 2 Sport – O time de Recife começou com tudo e logo abriu 2 a 0. A fase, porém, quando não é boa, tudo dá errado. Em casa, o Botafogo foi para cima e conseguiu empatar. Ruim para os dois.

São Paulo 3 X 0 Cruzeiro – O São Paulo barrou medalhões como Hernanes e Dagoberto e o time foi outro em relação à derrota para o mesmo Cruzeiro, dias atrás, no Mineirão, pela Libertadores. Além de tudo mostra que o tricolor é Borges mais 10. O Cruzeiro não se encontrou e terá que repensar muita coisa para o jogo do dia 17.

Santos 3 X 1 Corinthians – Foi a revanche da final do Campeonato Paulista. O Santos tem um time limitado, mas que consegue se superar em certas horas. Já o Corinthians ainda não mostrou ser um time confiável em uma competição longa e de alto nível.

Flamengo 2 X 1 Atlético-PR – Resultado que mostra que o atacante Adriano não poderia entrar em hora melhor no Mengo. Aliás, estrear o artilheiro na mesma época em que se livra do Obina não é para muitos times (rs). Carece de melhor observação. Do lado paranaense, a campanha até o momento liga o sinal amarelo na Arena.

Vitória 1 X 0 Grêmio – O time baiano vem se destacando no início do campeonato e é o melhor dentre os times médios. Bom início pode indicar briga futura por vaga na Libertadores. Já o Grêmio vem pensando mais na Libertadores do que no nacional, o que não poderia ser diferente.

Náutico 1 X 1 Fluminense – O Timbu é a maior surpresa do início do campeonato, mas precisa se reforçar se não quiser cair na tabela. A medida que os times maiores vão se acertando a tendência é o time pernambucano perder fôlego. Já o Fluminense precisa resolver os problemas internos e melhorar o futebol em campo.

Grêmio Barueri 2 X 2 Palmeiras – Repito. Os dois ‘pequenos’ times paulistas deverão ser carne de pescoço durante todo o campeonato. O Palmeiras ainda está em queda livre desde a ótima primeira fase no Campeonato Paulista.

Internacional 2 X 1 Avaí – Pode até parecer um placar magro, mas para quem está priorizando outra competição, com o Inter, somar três pontos é fundamental. Após três empates, o Avaí ainda não mostrou forças para tentar algo maior do que tentar fugir do rebaixamento.

Série B – Destaques para a ótima vitória do Vila Nova (2 a 1) fora, contra o Duque de Caxias, e os 100% de aproveitamento do Guarani, que ganhou do Bragantino, em casa, no último minuto. Depois de ser goleado pelo Vasco, o Atlético perdeu fôlego e empatou em casa com a Ponte Preta (1 a 1). Já o Vasco perdeu a primeira para o Paraná Clube, em Curitiba, mas segue entre os primeiros.

domingo, maio 31, 2009

Os 11 erros de Goiânia 2014

O poder político e econômico foram determinantes para a escolha das 12 cidades-sedes da Copa 2014. Temos também, porém, que olharmos para o nosso próprio umbigo e ver os erros que impediram Goiânia de chegar lá. Aliás, não é nada difícil encontrar defeitos na “corrida” da nossa capital por alguns jogos da Copa do Mundo e muitos milhões de reais em investimentos em infraestrutura.

Falta de ação, incompetência administrativa, inexperiência, projeto fraco, a não existência de um forte interlocutor, falta de motivação, além de vários outros motivos, levaram à derrocada goiana. Um insucesso que, repito, vai custar muito para os goianienses a longo prazo.

Veja os principais erros do Comitê Executivo da Copa 2014 em Goiânia (Coexgyn) e envolvidos:

1. Projeto desastroso – Não precisava ser perito para perceber que havia algo errado no projeto do Serra Dourada para 2014. Desde o primeiro dia, o modesto plano de obras foi criticado justamente. A principal gafe foi não prever a cobertura total dos assentos do estádio (pelo projeto original 15% das arquibancadas não seriam cobertas). Fico imaginando um jogo de Copa do Mundo, estádio lotado, e 15% do público tomando chuva. O absurdo foi tão grande que dias antes do anúncio das sedes foi feita uma correção no projeto. Uma vergonha! O plano de ação do Serra Dourada estava mais para uma grande maquiagem do que adequação para a disputa de uma Copa do Mundo.

2. Equipe sem experiência – Os 'cabeças' da Coexgyn, comandada pelo presidente da Agetur, Barbosa Neto (PSB), não tinham a mínima experiência de como tocar um projeto rumo a algo tão audacioso como sediar jogos da Copa 2014. Tudo foi feito com muito amadorismo. O projeto, por exemplo, foi mandato à CBF no limite do prazo e via Correios. Uma lástima.

3. Governo sem ações – O governo do Estado fez muito pouco para ver Goiânia como uma das sedes da Copa 2014. Tirando a participação em alguns eventos e o apoio verbal do Palácio das Esmeraldas à Coexgyn, nada mais foi feito. Informações apontam para dificuldades de captação de recursos e falta de investimentos do governo na postulação da cidade. Uma participação quase zero se comparada, por exemplo, com a do Mato Grosso, onde o governador Blairo Maggi foi o grande articulador político da candidatura de Cuiabá.

4. Slogan de derrota – A frase “Eu acredito!” é conhecido nacionalmente no meio futebolístico como a crença em um milagre. Muito usado quando um time chega na última rodada precisando vencer e tendo que torcer por mais três ou quatro resultados para não ser rebaixado. Não era esta a situação de Goiânia. Quando o Brasil foi confirmado como sede da Copa de 2014, a capital de Goiás era uma das favoritas. A Coexgyn transformou Goiânia de "favorita" em "a espera de um milagre".

5. “Gol contra” da marca – A marca de Goiânia 2014, “A Copa no coração do Brasil”, jogou contra a candidatura da cidade. Isto porque a localização geográfica era algo que deveria ser minimizada, já que havia, como houve, prejuízos em relação a proximidade com Brasília. Enquanto outras cidades arrumaram marcas únicas, como Manaus, Belém e Rio Branco, que disputaram para ser a cidade sede da Amazônia, Cuiabá e Campo Grande, que duelaram para ser a representante pantaneira na Copa, Goiânia apostou em uma marca que concorria com a capital federal, confirmada como cidade sede desde o primeiro dia em que a Fifa concedeu ao Brasil o direito de organizar a Copa 2014. Até mesmo Natal conseguiu uma marca melhor, “A capital brasileira mais próxima da Europa”. A Coexgyn tinha que ter sido criativa e puxado para Goiânia a marca do Cerrado, cidade Country, agronegócio, ou qualquer outra coisa que fugisse do confronto com Brasília.

6. A falta de trânsito da FGF na CBF – Não me lembro em que ano, mas a última vez que o Brasil concorreu para sediar uma Copa, o presidente da CBF Ricardo Teixeira veio a Goiânia e confirmou que a cidade seria sede, no caso de sucesso da postulação nacional. Não foi daquela vez, mas a afirmação traduzia muito bem a amizade de Teixeira com o ex-presidente da Federação Goiana de Futebol, Wilson da Silveira. Após a morte de Silveira, o vice André Pitta assumiu a federação e as relações com a CBF nunca mais foram as mesmas. Tanto que esta pode ser a primeira vez, em muito tempo, que Goiânia não sediará um jogo da seleção nas eliminatórias.

7. Falta de eventos – A organização de Goiânia-2014 foi a mais discreta de todas as outras 16 candidatas. Nada foi feito nesta reta final para divulgar o trabalho e as qualidades da capital para ser escolhida como sede. A maior parte dos goianienses até mesmo se esqueceu que Goiânia estava realmente concorrendo a uma das 12 vagas. Além disto, os três fortes padrinhos da cidade, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o ex-treinador de Brasil e Portugal, Luiz Felipe Scolari, e o ex-presidente da FIFA, João Havelange, não foram requisitados hora nenhuma. Divulgaram o apoio, e nada mais.

8. Divulgação precária – A Coexgyn informou várias vezes que apresentou mais de 200 projetos de melhorias da infraestrutura de Goiânia, no caso do sucesso da candidatura. Hora alguma, porém, se empenhou para a divulgação dos mesmos. A população de Goiânia pouco foi informada e, com isto, não se mobilizou em favor da cidade. Camisetas e faixas também foram raras na capital, inclusive no dia no anúncio. Pode parecer pouca coisa, mas uma cidade mobilizada pode fazer milagres.

9. Sem apoio político – A política goiana passa por uma das melhores fases em toda a história. Temos o vice-presidente do Senado, os líderes de PTB, PR e DEM na Câmara Federal, o relator da reforma tributária, além de fortes interlocutores junto ao presidente Lula. Nada disto foi usado para que a força política da cidade nos bastidores crescesse, o que certamente faria a diferença.

10. O mal uso da proximidade com Brasília - O Brasil inteiro entendeu a mensagem transmitida por concorrentes de Goiânia, de que a cidade não poderia sediar a Copa por causa da proximidade com Brasília (cerca de 210 km). Goiânia, por sua vez, não se importou em buscar um antídoto para tal. Deveria contratacar com uma campanha maciça de argumentos, destacando a importância de um eixo Goiânia-Brasília na Copa. Uma das saídas seria se aliar com a capital federal, já que Brasília também teria mais força (para conseguir o jogo de abertura, por exemplo) se Goiânia fosse sede. A distância pequena entre duas sedes não é fator decisivo, tanto que Natal e Recife, duas cidades eleitas, estão separadas por cerca de 290 km.

11. Clima de derrota antes da hora – Já fazia alguns meses que as pessoas envolvidas no projeto Goiânia 2014, a Coexgyn e as administrações municipal e estadual, haviam entregado os pontos. “A gente é obrigado a acreditar”, foi o que me disse um político do alto escalão municipal quando questionei as chances da cidade, no início de maio, apontando para um broxe da campanha que ele usava na ocasião. Nos meios de comunicação todos discursavam com o tom otimista. Com as câmaras e gravadores desligados a descrença era geral.

Goiânia fora da Copa 2014

Em cerimônia apenas protocolar, já que a lista das 12 cidades-sedes da Copa 2014 havia sido vazada dias antes, o Comitê Executivo da FIFA confirmou que Goiânia não será uma das sub-sedes do mundial.

Em outra oportunidade farei uma exposição maior sobre o assunto, mas é notório que foram usados todos os critérios possíveis, menos o técnico. Se fosse levado em conta o preparo de cada cidade não tenha dúvida que Goiânia e Belém estariam na lista, no lugar, provavelmente, de Cuiabá e Manaus.

Não são poucas as críticas que podem ser feitas ao comitê que organizou a candidatura de Goiânia, mas nesta hora o que chama maior atenção é de como o jogo político (para não dizer financeiro) é fator determinante para esta decisão. Tanto que a FIFA apenas respaldou a lista da CBF, previamente negociada com governadores e demais "autoridades" esportivas locais.

Isto tudo provocará um déficit sem fim para cidades que, por mérito, deveriam receber os jogos. Cinco anos praticamente sem investimentos de infra-estrutura, já que quase a totalidade das verbas federais serão escoadas para as 12 "escolhidas". Que a população dos lugares "politicamente" subjugados não esqueça este jogo na próxima vez de recepcionar a CBF e os atuais mandatários.

Mais informações sobre a escolha das sedes no blog do nobre jornalista Eduardo Horácio.

quinta-feira, maio 28, 2009

O fim da Base Aliada

Quem acompanha este blog se estranha ao ver o assunto política ser debatido neste espaço. Apesar de gostar do tema, no qual trabalhei os últimos quatro anos, sempre preferi deixar as análises sobre governos e políticos para as páginas do jornal Tribuna do Planalto, e escrever aqui assuntos fora do ramo de trabalho.

Agora que deixei temporariamente o meu trabalho jornalístico e me preparo para uma nova jornada, desta vez na Europa, sinto vontade de repercutir o grande assunto político de Goiás: o fim da base aliada e o racha "quase" formal entre o governador Alcides Rodrigues (PP) e o senador Marconi Perillo (PSDB).

Para quem é leigo, um resumo. Alcides foi vice-governador de Marconi durante sete anos e três meses, assumindo o governo em março de 2006, na renúncia do tucano que se candidatou ao Senado. Disputou e venceu a reeleição no mesmo ano, ampliando o seu mandato para até o final de 2010.

Logo que se passaram as eleições, os atritos entre os dois grupos políticos começaram. Políticos ligados a Marconi queriam mais espaço no governo de Alcides, que preferiu dar prioridade aos seus aliados mais próximos. Com o tempo, o governo foi revelando problemas nas contas do Estado, colocando em xeque a tão propagada eficiência dos quase oito anos de governo Marconi.

Os atritos foram aumentando, mas ficaram restritos aos bastidores. A explicação lógica é que, como os dois eram aliados, uma briga pública seria prejudicial para ambos. A 'guerra-fria' proporcionou vários episódios, mas nenhum definitivo. Até a semana passada.

Com o aumento da expectativa de poder sobre o senador Marconi Perillo, pré-candidato ao governo nas eleições do ano que vem, aliados começaram a jogar duro com o governo, que não ouviu calado. Na segunda, 25, o deputado Carlos Leréia (PSDB), um dos aliados mais fortes de Marconi, fez duras críticas a Alcides, chamando-o de "traiador". As palavras do tucano também foi uma resposta ao secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, que nunca evitou de dizer que Alcides assumiu o governo com uma situação financeira bem deficitária.

As palavras de Leréia foram a gota d'água. Leia abaixo a entrevista coletiva que o governador Alcides Rodrigues concedeu ontem, quarta, 27, publicada hoje pelo jornal O Popular, em que ele responde os ataques. Resumo da história: o 'advogado' Leréia levou a Alcides um pedido de divórcio por parte de Marconi, e este assinou no mesmo instante.

O senhor se sentiu ofendido com as declarações do deputado Carlos Alberto Lereia?
Alcides Rodrigues - É claro que fiquei ofendido. Afinal de contas, tenho me pautado pela seriedade, pelo trabalho e pela retidão ao longo da minha vida pública e também pessoal. O poder público não pode resvalar para a área da irresponsabilidade, da leviandade e também do deboche. A sociedade, principalmente em Goiás – Estado que está crescendo e prosperando – precisa e exige dos homens públicos seriedade em suas condutas e decisões. Neste sentido, o governo de Goiás tem sido transparente, responsável e ético. E vai continuar assim.

Depois desses episódios, fica complicada a união da base aliada?
Eu disse que a antecipação das eleições era inoportuna, inconveniente, indesejável e ia contra os interesses administrativos de Goiás. O resultado está aí: a antecipação do debate sucessório. Estamos muito longe ainda das eleições. Neste momento, todos que fomos eleitos temos de trabalhar muito pelo nosso Estado para beneficiar a população. É isso que estou fazendo com a minha equipe. Trabalhando muito, apresentando resultados positivos a cada dia, a cada instante. Goiás está sendo um canteiro de obras, não só de infraestrutura, mas em todas as áreas, em todas as regiões.

O senhor vai considerar lideranças do PSDB como opositores ao governo oficialmente?
Vou tratar todos com consideração, com respeito, como tenho feito até este momento. A Assembleia Legislativa tem tido toda atenção e consideração como Poder pelo Executivo. Os outros poderes, idem. Então, vou continuar nesta linha. Não vou me resvalar hora nenhuma para o lado da discussão que não traz frutos para Goiás.

Vai buscar ampliar o apoio na Assembleia Legislativa?
Nunca tive problemas na Assembleia. Tenho tido o respeito e a compreensão dos parlamentares em todas as discussões que para lá foram encaminhadas pelo Executivo. Tenho tido uma relação respeitosa com o Legislativo. E assim há de continuar.

Em sua opinião, onde está o começo deste rompimento com o senador Marconi Perillo?
Eu quero dizer que os problemas começaram a existir a partir do momento da busca do poder. Esta não deve ser a primeira discussão de um homem público, em qualquer esfera. O debate sucessório é apaixonante. E muitos são mais apaixonados até do que outros. Alguns são muito vaidosos. Têm de estar à frente em tudo, de ser considerado o melhor, o mais bonito, o mais-mais de tudo. E não é assim. Temos de ter espírito público e procurar fazer valer a confiança que foi nos depositada pelo povo goiano.

O vaidoso é o senador Marconi Perillo?
Não disse nomes, não nominei. Eu disse que existem pessoas vaidosas. Os senhores não concordam?

O que acha da acusação de traição, de que na época da campanha o senhor defendia o governo anterior e depois surgiram as críticas?
Olha, traição é daquele que não dignifica a confiança do povo. É aquele que não cumpre compromissos. É aquele que fala uma coisa e faz outra. É aquele, ou aqueles que fazem reuniões na calada da noite, fazendo estratégias para inviabilizar o governo. Estes é que são os traidores do povo de Goiás. Não (trai) quem trabalha diuturnamente, pagando contas, fazendo com que a coisa pública seja levada a sério, acabando com as tetas daqueles que não estão percebendo que o tempo é outro e que agora não existe mais.

Tempo novo acabou?
Sempre existirá tempo novo, tempo bom, para aqueles que querem o bem da coisa pública e dos interesses do Estado.

O senhor concorda com o secretário Jorcelino Braga, que disse que há um grupo do PSDB que quer desestabilizar seu governo?
Concordo em gênero, número e grau. O secretário Braga, como os demais secretários, têm sido uns leões na luta para que possamos ultrapassar tantos problemas que se apresentam à nossa frente, principalmente numa crise internacional. O Estado está em melhores condições porque fizemos uma corajosa reforma administrativa a tempo. E tivemos a condição de atravessar esta turbulência. Temos dificuldades, mas estamos trabalhando para ultrapassar estes obstáculos – alguns colocados até por pessoas que querem inviabilizar o governo.

O que deixou o senhor mais indignado em todo este episódio?
A quebra da confiança. Eu sempre fui um companheiro leal, correto, em todos os instantes. Correto, leal, prestativo, solidário e companheiro. Mas nunca me permiti estar na condição de títere1 ou de capacho.

Mandaria algum recado ao senador Marconi Perillo?
Não, não quero mandar recado. Eu, se tiver de falar, falo pessoalmente e a hora que for conveniente. Hora nenhuma eu peço para alguém falar em meu nome.

Está mais revoltado com o deputado Lereia ou com o senador Marconi?
Quero esquecer este episódio, que tem nele embutido alguns que representam o Cavaleiro da Triste Figura2.

Confirma que o PP terá candidato a governador?
Não quero discutir eleições. É inoportuno e até a legislação eleitoral não permite. Estamos é trabalhando, fazendo e conquistando muito por Goiás.

O governo pensa em apresentar dados sobre o governo anterior?
Os números não mentem. Estão aí para todos.

1 - Boneco que se move por cordéis e engonços. Fig. Bonifrate, casquilho que para nada serve. Palhaço, bufão.

2 - Da obra de Miguel de Cervantes, Dom Quixote, que narra a história de um velho que, ao ler romances de nobres cavalheiros, sai em busca das suas próprias aventuras. O livro, na verdade, é uma paródia aos cavaleiros medievais em uma época em que a cavalaria já está em decadência. Em outras palvavras: cavaleiro decadente.

quarta-feira, maio 27, 2009

Campeonato Brasileiro - 3a Rodada

Corinthians 2 X 1 Grêmio Barueri – A equipe da capital fez o seu dever de casa, mesmo com a cabeça mais voltada ao jogo contra o Vasco, no meio de semana pela Copa do Brasil.

Goiás 0 X 1 Internacional – O Goiás poderia ter decidido o jogo ainda no primeiro tempo, quando o meia Felipe armou algumas jogadas. Com gols desperdiçados, o verde avançou o seu time na segunda etapa e viu o Inter fazer um gol de contra-ataque. Ótimo placar para o time B gaúcho, que tem como principal arma o titularíssimo Guiñazu.

Cruzeiro 2 X 0 Vitória – Como o Corinthians, o Cruzeiro jogou voltado ao compromisso de quarta-feira. Não deu chances para os baianos, que vivem altos e baixos.

Palmeiras 0 X 0 São Paulo – Apesar do placar, o jogo foi muito bom. Chances para os dois, principalmente no lado tricolor, que viu o goleiro Marcos fazer ao menos quatro milagres. O terceiro goleiro do São Paulo, Denis, também fez boa partida.

Atlético-PR 2 X 3 Náutico – Foi o placar mais surpreendente da rodada. Coloca um ponto de interrogação sob o Atlético, que vem de uma fraca campanha no ano passado. O Náutico soma pontos preciosos.

Grêmio 2 X 0 Botafogo – Os jogadores gaúchos fizeram a felicidade do técnico estreante, Paulo Autuori. O Botafogo mostra que não possui time para decolar e precisará de reforços se quiser ir além da Sulamericana.

Fluminense 1 X 4 Santos – Outro resultado incomum. O Fluminense é forte no Maracanã, mas a falta de um time mais técnico começa a causar prejuízos. Já o Santos tem um conjunto bem arrumado e deverá dar trabalho.

Santo André 1 X 2 Flamengo – Ótimo resultado para os cariocas, que até a pouco tempo vinha com sérios problemas no ataque. Apesar da derrota, o Santo André pode fazer alguns estragos nas próximas rodadas.

Sport 2 X 3 Atlético – Está confirmado, o Sport entrou em ‘depressão pós-Libertadores’. Precisará esquecer o torneio continental sob risco de perder o contato com os primeiros colocados. Grande resultado para o Atlético.

Avaí 2 X 2 Coritiba – Três jogos e três empates para o Avaí. Primeiro ponto para os paranaenses. Nenhum dos dois mostrou ainda se podem ‘ameaçar’ as primeiras colocações.

Série B – Vasco venceu e pôs respeito sob o Atlético Goianiense no principal jogo da rodada. Destaques ainda para o Guarani, que venceu o Campinense na Paraíba e ainda desfruta dos 100% de aproveitamento, além do Vila Nova, que sofreu mas venceu o São Caetano em Goiânia.
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