terça-feira, maio 11, 2010

Londres depois de três meses

É engraçado quando a gente tem uma impressão sobre uma coisa, ou, no caso, um lugar e com o passar do tempo ela vai se consolidando. Em três meses ainda não dá para criar uma opinião sólida sobre algo, mas a tendência é que meu ponto de vista inicial sobre Londres se confirme.

Quando cheguei me deparei com um monte de gente preocupada com trabalho. Já sabia desta vocação dos imigrantes, mas gostaria de saber o porquê.

É claro que trabalho é preocupação geral em qualquer parte do mundo, mas o interessante é pensar porque tanta gente vem de tão longe para arrumar um ganha pão em terras inglesas.

Qualidade de trabalho não é, já que a maioria parte para o emprego de pouca instrução. Salvo raras exceções, este tipo de labuta não é nada agradável.

"Quantidade de dinheiro?" - me questionei incialmente, até notar o tão caro que é para se morar aqui. Transporte e aluguel pode facilmente te levar umas 500 libras por mês. Normalmente o tipo de trabalho que um imigrante faz lhe rende, no máximo, 1.000 ou 1.100 libras mensais (trabalhando de 50 a 60 horas por semana), o que, tirando comida e uma diversão ou outra, sobra-se muito pouco para se guardar. É raro aqueles que não reclamam das contas.

Qualidade de vida. Sim, aqui o transporte funciona e quase não existe crime. Pontos muito positivos, sem dúvida nenhuma. Mas, o que é qualidade de vida para você? Morar em uma casa sozinho, por exemplo? Pode esquecer, só se você conseguir passar para o nível 2 dos empregos londrinos. Além disto, se dê por alguém de sorte se você conseguir ter um quarto individual. Para mim (e um monte de gente que conversei) também pesa ficar longe do nosso país de origem, amigos e família. Então, qualidade de vida é um conjunto de tudo isto e muitas vezes a balança pende para o negativo.

Enfim, por que as pessoas gostam tanto de Londres?

Cheguei a conclusão que Londres é uma cidade que te enfeitiça. Oportunidades a cada esquina (mesmo que a maioria seja ilusão), possibilidades de crescimento (por rico aqui é rico mesmo!! rsrs) e, principalmente, poder e opções de consumo são atrativos que fazem qualquer pessoa pós-moderna ficar maluca.

Mais do que uma cidade que nunca dorme, Londres é o lugar onde tudo é possível. Um tipo de América do século XXI para africanos, asiáticos, latino-americanos e pessoas do leste europeu. Se entrar numa loja e ver produtos eletrônicos de última geração a preços totalmente acessíveis conseguem despertar o meu consumismo interno, eu, que sou e vivi toda a minha vida em um país em desenvolvimento, imagino o impacto para quem vem dos países mais pobres do mundo.

Não apenas consumo material, mas também consumo cultural. É impossível andar de metrô e não se esbarrar em dezenas de cartazes de peças de teatro da mais alta qualidade.

Tudo é bem acessível, mas é tanta coisa que você sempre fica pensando naquilo que precisa consumir no próximo mês. Este potencial inesgotável é que prende as pessoas por aqui. E é necessário muito cuidado para o feitiço não se transformar em música, daquelas que a gente não consegue tirar da cabeça e, assim, dias, meses e anos se passem sem que consiguemos sair de uma vez por todas deste país.

4 comentários:

Erika disse...

Pelo que vc escreveu eu acho que suportaria Londres. Não fosse por um detalhe: o frrriiiiiooooo!...rs.

Maria Cristina disse...

Eu suportaria uns dias, até pedir pra sair (como vc mesmo diz sobre mim, kkk)

Vem logo embora!!! bjos

Erika disse...

Rapá, tu tá me devendo um post...rs.

Lorena Verli disse...

Caro Sartora, como está a sua aventura para destruir Smaug? Ouvi dizer que Londres é a terra dos dragões, ou seria dos bruxos??? Quero muito conhecer essa cidade, mas só conhecer mesmo. Depois de quatro anos em São Paulo, não aceito morar em mais nenhum lugar que não feche os olhos depois do almoço e faça uma sesta =)... Afinal, só quero celebrar uma vida simples... Bjão grande e boa sorte!

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