O curioso, porém, ocorreu ontem, sábado, 26, quando me preparava para decolar de Treviso, Itália, rumo à cidade espanhola de Girona, há cerca de 100 km de Barcelona. Cheguei ao aeroporto, passei pela fiscalização, aguardei, entrei na fila, entreguei a passagem e desci as escadas até a porta que dá para a pista. Até aí tudo normal. Por volta das 18:15, horário marcado para a decolagem, uma voz no alto falante anunciou um atraso de meia-hora, por motivos técnicos.
Já descrente, mas ainda incrédulo de que ali seria o início de uma via crucis, subi de volta juntamente com os outros passageiros e esperei o novo horário. Quando o relógio estava perto das 18:45, contudo, o display eletrônico foi atualizado, jogando o nosso vôo para 22:15.
Levantei da onde estava sentado e fui achar um local calmo para tentar conectar à internet wi-fi. Com dor no coração, ainda recebi a última notícia: o avião estava com atraso indeterminado.
Foram uns 20 minutos de mal humor, até quando me conformei e comecei a me divertir com a situação. Já que a internet não funcionava, aproveitei uma tomada embaixo das escadas para carregar a bateria esgotada do meu notebook. Acomodei a minha mochila como um travesseiro e dentei, meio que fechando aquele espaço, delimitando um “home-office” (rs!!).
Fiz de tudo para passar o tempo. Ouvi músicas, joguei paciência, liguei para casa, descansei um pouco. A única preocupação era em relação ao meu destino. Se voasse ainda naquele sábado chegaria de madrugada em Girona, mais de madrugada ainda em Barcelona e teria dificuldades de chegar ao meu albergue já reservado.
Às 21:15, já com três horas de atraso, um novo anúncio. A Ryanair, como forma de atenuar os problemas, ofereceu um voucher de comida aos viajantes entediados. Corri, juntamente com os outros, para pegar o meu.
Eram cinco euros para gastar com lanche e bebidas não-alcoólicas. De imediato fui para a lanchonete e enfrentei uma fila gigantesca para pegar o rango “de graça”. Foi aí que, olhando aquele voucher, me dei conta. Pera lá!! Se eu paguei um euro pela a passagem e a Ryanair me deu cinco para comer, então a companhia está pagando quatro euros para eu voar.
Comi o lanche (muito bom!!) e voltei para o tédio da espera. Pouco depois das 10 horas, um grupo de técnicos chegou no avião que vinha de Londres e começaram a consertar a nossa aeronave. O problema era na porta. Uns 20 minutos bastaram para que tudo se resolvesse. Embarcamos e, com a graça de DEUS, chegamos a Girona a uma da manhã.