domingo, dezembro 11, 2005

Futebol (nada mais do que isso)

O ano era 1998. O contexto era inusitado na vida de um menino. Não cabe aqui explicar. Mas naquele ano, um garoto de 16 anos arrumou o sonho maior de ir a Copa do Mundo, que seria realizado na França. Tudo em sua vida se transformou nessa impossível obsessão. O futebol ainda era romântico para ele. Significava um bando de sonhos que se transformavam em realidade quando o arbitro apitava e era dado o ponta pé inicial da partida.

É claro que o sonho de ir a França vinha juntamente com um outro desejo que esse menino tinha eu seu coração: o de conhecer um país diferente do seu, uma outra cultura. Mesmo não sendo possível estar presente, ele começou acompanhar tudo o que estava relacionado ao tema. Foi uma compensação. Gravou todos os programa que passou na TV, inclusive na TV a cabo, especiais, filmes de Copas passadas e tudo mais que a mídia disponibilizou para o mundo. Não desgrudava do rádio, comprava jornais e guardava tudo. Quando perdia algo, madrugava, tentava de alguma maneira recuperar o que faltava em sua coleção. Pois a ausência de um minuto (ou folha) de qualquer coisa que fosse, poderia se transformar na própria morte.

Era uma grande decepção não estar presente no maior evento esportivo mundial. Mas mesmo sem sua presença, o torneio foi realizado. Ele assistiu a todos os jogos e gravou grande parte deles. Nesta hora, o garoto apaixonado prometeu a si mesmo que um dia ele estaria acompanhando uma Copa do Mundo – no futuro realizaria aquele sonho que não pôde ser concretizado.

Os anos se passaram, o garoto cresceu. Muitas modificações ocorreram em sua vida. Ao se aprofundar no mundo do futebol, ele descobriu que aquela visão romântica que o jogo passava, pelo rádio e pela TV, não era a realidade. Com isso a desilusão foi inevitável. Não houve mais nenhum momento em que ele voltou a sentir por aquele esporte aquilo que ele idealizava.

Mas, sem nenhuma explicação, durante um jogo importante em sua cidade, o garoto, que agora não era tão garoto mais, conseguiu, novamente, se emocionar com o jogo. A medida que os gols iam saindo, brotava nele a sensação de 98. Mas dessa fez ele estava lá, fazia parte, mesmo que indiretamente, do espetáculo. Lembrou de tudo o que passou. Lembrou-se daqueles vídeos e jornais, sobre a Copa de 1998, que ele gravou, comprou e nunca reviu. E sentiu que, mesmo sem ser uma Copa do Mundo, aquela promessa que havia feito, há sete anos atrás, estava cumprida de alguma forma. Emocionou-se com aquilo. Lembrou da caminhada toda que ele tinha feito até ali. Pensou no que poderia realizar a partir dali.

Agora ele está satisfeito e feliz. Porque realizou, mesmo que indiretamente, o seu sonho. E sabe que qualquer evento que vier a acompanhar de agora para frente será um complemento. Já participou de algo grande. Não vai embora dessa vida sem levar esta experiência. Mesmo tendo consciência dos podres que envolvem o esporte, agora sabe que a emoção, crença e a torcida de um povo fazem com que o futebol seja especial. Ele recuperou a vontade de torcer. E descobriu também que muito mais importante que estar presente em uma Copa do Mundo é realizar seu sonho em casa, ao lado de seus companheiros; e ele também tem a certeza de que há vários outros amigos, que não estavam presente, e que vão testemunhar o fato, ouvindo(lendo) atentamente a história de um garoto crescido.

*Enquanto escrevia, ouvia o CD Allez!Ola!Olé!, trilha oficial da Copa de 1998.


* O "menino" com o mascote do verdão antes do jogo Goiás X Corinthians - 04/12/2005

2 comentários:

Renato disse...

a oportunidade de mergulhar nos "subterrâneos do futebol", como diria João Saldanha, trouxe-nos, certamente, alegrias e desilusões com o melhor esporte do mundo(na minha modesta opinião..hehe). Confesso que não sou mais aquele louco por futebol que já fui. Continuo adorando, mas de uma forma diferente... e a Copa de 1998 foi fundamental para que isso ocorresse. Às vezes rola aquela vontade de deixar uma transmissão e ir para a arquibancada, fazer parte da multidão que chora, ri, xinga, enfim, extravasa as angústias do dia-a-dia. O que acontece é que os "heróis" que fazem os gols, são pessoas assim como nós, de carne e osso, que também erram. E só descobrimos isso com o tempo..hehe....
Mas a contrapartida de todas essas observações vale a pena. Como aprendizado e como paixão. Talvez sob um novo viés. Mas vale a pena. Se acompanhar uma final de campeonato brasileiro e final de copa do brasil já não é nenhuma surpresa para muitos de nós, vamos em busca de novos sonhos: "Copa do Mundo" e "Olimpíadas"!!!!!!!!!!

maria cristina disse...

Achei que o seu texto sobre o jogo seria meio triste, por conta da sacanagem que fizeram com a gente. hehehe, q bom que vc teve um bom momento fico feliz por vc!!! bjão!!

powered by Blogger | WordPress by Newwpthemes | Converted by BloggerTheme