segunda-feira, maio 24, 2010

Lost e Férias

Acabei de assistir o último episódio de Lost. Achei brilhante, apesar de não responder todas as questões. Já está divindo opiniões no mundo inteiro. Não foi esta, porém, a história da série: causar dúvidas e discussões? Acho que elas continuarão a existir, por algum tempo pelo menos, principalmente no mundo virtual.

Por falar em virtualidade, informo a todos que tirarei umas férias do meu mundo virtual por alguns dias. Isto abrange blog, orkut, facebook, twitter, msn, gtalk e demais. Só continuarei checando os e-mails, mas em uma frequência bem menor. Ou seja, ficarei quase 100% offline de tudo que seja online.

grande abraço a todos e até a próxima se DEUS quiser!!

sexta-feira, maio 21, 2010

Cartilha do Pobre em Londres

Ela voltou!! E agora, em versão londrina.

A Cartilha do Pobre foi uma produção minha há cinco anos e publicada no antigo blog da minha amiga Erika Lettry. Acho que ela, a cartilha, acabou sendo apagada, porque ela, a minha amiga, mudou de endereço e não há mais arquivos lá onde outrora ela 'papagaiava' (www.aspapagaias.blogspot.com).

Passando por tanta situação de pobre aqui na capital inglesa, não podia deixar de criar uma nova cartilha. É interessante notar que Londres guarda características próprias para os pobres. E nó, pobres, aguentamos a rotina e as limitações que a renda nos impõe, rsrs. Resumi em 16 tópicos o que é ser pobre em Londres. Lá vai.

Ser pobre em Londres é:

- Em primeiro lugar, dividir casa com mais dez pessoas para pagar menos aluguel;
- Não conseguir acessar internet porque todos estão puxando filmes e músicas ao mesmo tempo;
- Morar na Zona 3, mas comprar o passe da Zona 2 (mais barato), descer do metrô antes e completar a viagem de ônibus (que não tem diferenciação de zonas);
- Encher o metrô de malas quando vai viajar, ao invés de chamar um taxi;
- Pegar o trem pinga-pinga para o aeroporto, economizando assim quase metade do preço dos trens expressos;
- Viajar de férias em companhias low-costs e ainda pegar o buzão para o aeroporto de madrugada, quando a passagem é mais barata;
- Comer sempre no trabalho, deixando a geladeira vazia e o bolso um pouco mais cheio;
- Viajar quase duas horas de ônibus para comer naquele restaurante chinês do tipo: coma o quanto quiser por apenas 5,49 libras;
- No supermercado, sair correndo para ver o que está no 'reduced' (promoção devido o vencimento próximo da data de validade);
- Ir ao parque no final de semana, já que é de graça;
- Não sair de casa no final de semana se você não tiver um Travelcard no Oyster (passe do transporte público). Neste caso, só sair do seu bairro para trabalhar;
- Curtir o som dos músicos de metrô, mas não dar nem mesmo um penny (um centavo) para o coitado, já que vai lhe fazer falta;
- Ficar vendo de cima das pontes os turistas fazendo passeios de barco pelo Tâmisa, ou se aventurando na London Eye (roda gigante);
- Ir para a Oxford Street, passear em várias lojas, passar vontade e não comprar nada;
- Ficar feliz ao comprar um montão de roupas baratas na Primark;
- Ir embora da cidade e descobrir que não fez nada (não viu uma peça, não foi no cinema, não assistiu a um jogo de futebol sequer, não comprou nada legal e não viajou pela Grã-Bretanha), já que usou todo o dinheiro que tinha para pagar o aluguel;

Quem tiver sugestões, manda aí. Vamos incrementá-lo.

terça-feira, maio 11, 2010

Londres depois de três meses

É engraçado quando a gente tem uma impressão sobre uma coisa, ou, no caso, um lugar e com o passar do tempo ela vai se consolidando. Em três meses ainda não dá para criar uma opinião sólida sobre algo, mas a tendência é que meu ponto de vista inicial sobre Londres se confirme.

Quando cheguei me deparei com um monte de gente preocupada com trabalho. Já sabia desta vocação dos imigrantes, mas gostaria de saber o porquê.

É claro que trabalho é preocupação geral em qualquer parte do mundo, mas o interessante é pensar porque tanta gente vem de tão longe para arrumar um ganha pão em terras inglesas.

Qualidade de trabalho não é, já que a maioria parte para o emprego de pouca instrução. Salvo raras exceções, este tipo de labuta não é nada agradável.

"Quantidade de dinheiro?" - me questionei incialmente, até notar o tão caro que é para se morar aqui. Transporte e aluguel pode facilmente te levar umas 500 libras por mês. Normalmente o tipo de trabalho que um imigrante faz lhe rende, no máximo, 1.000 ou 1.100 libras mensais (trabalhando de 50 a 60 horas por semana), o que, tirando comida e uma diversão ou outra, sobra-se muito pouco para se guardar. É raro aqueles que não reclamam das contas.

Qualidade de vida. Sim, aqui o transporte funciona e quase não existe crime. Pontos muito positivos, sem dúvida nenhuma. Mas, o que é qualidade de vida para você? Morar em uma casa sozinho, por exemplo? Pode esquecer, só se você conseguir passar para o nível 2 dos empregos londrinos. Além disto, se dê por alguém de sorte se você conseguir ter um quarto individual. Para mim (e um monte de gente que conversei) também pesa ficar longe do nosso país de origem, amigos e família. Então, qualidade de vida é um conjunto de tudo isto e muitas vezes a balança pende para o negativo.

Enfim, por que as pessoas gostam tanto de Londres?

Cheguei a conclusão que Londres é uma cidade que te enfeitiça. Oportunidades a cada esquina (mesmo que a maioria seja ilusão), possibilidades de crescimento (por rico aqui é rico mesmo!! rsrs) e, principalmente, poder e opções de consumo são atrativos que fazem qualquer pessoa pós-moderna ficar maluca.

Mais do que uma cidade que nunca dorme, Londres é o lugar onde tudo é possível. Um tipo de América do século XXI para africanos, asiáticos, latino-americanos e pessoas do leste europeu. Se entrar numa loja e ver produtos eletrônicos de última geração a preços totalmente acessíveis conseguem despertar o meu consumismo interno, eu, que sou e vivi toda a minha vida em um país em desenvolvimento, imagino o impacto para quem vem dos países mais pobres do mundo.

Não apenas consumo material, mas também consumo cultural. É impossível andar de metrô e não se esbarrar em dezenas de cartazes de peças de teatro da mais alta qualidade.

Tudo é bem acessível, mas é tanta coisa que você sempre fica pensando naquilo que precisa consumir no próximo mês. Este potencial inesgotável é que prende as pessoas por aqui. E é necessário muito cuidado para o feitiço não se transformar em música, daquelas que a gente não consegue tirar da cabeça e, assim, dias, meses e anos se passem sem que consiguemos sair de uma vez por todas deste país.

sábado, maio 08, 2010

E quem ganhou? Ninguém.....

Prometo escrever menos do que no outro post. Sei que política britânica não é um assunto muito interessante para nós, brasileiros, mas acho importante escrever um outro post, já que o jogo ficou embolado. Quem gosta de política vai gostar de fazer um paralelo entre o processo eleitoral aqui e no Brasil. De qualquer forma, meu objetivo é deixar registrado como é, mais ou menos, as eleições britânicas. Se alguém quiser pesquisar no futuro, pode usar estas informações como uma fonte em português, já que vi muito pouco escrito sobre o assunto na nossa lingua materna.

As eleições acabaram, mas a polêmica não. Quem será o primeiro-ministro? Ninguém sabe ainda. O trabalhista e atual líder de governo, Gordon Brown, pode continuar mesmo que seu partido não tenha conseguido o maior número de cadeiras (258). O seu sucessor também poderá ser o conservador David Cameron, que conseguiu o maior número de parlamentares (306), mas não suficiente para chegar à maioria (326).

Neste ponto, peço licença para corrigir uma informação do texto anterior. Os parlamentares eleitos não votam para eleger o primeiro-ministro, mas a rainha Elizabeth II convida o líder do partido que conseguiu a maioria do parlamento a compor um novo governo. Como ninguém conseguiu, o jogo continua em aberto.

O que ocorrerá então? Como havia comentado, o Partido Liberal Democrata (LibDem) será o fiel da balança. O seu líder Nick Clegg (foto) não tem chances de assumir a Downing Street, 10, mas é a peça política mais importante do momento. Isto porque o partido conquistou 57 cadeiras e pode fechar um governo de coalização tanto com conservadores, como com trabalhistas.

Clegg já começou a conversar com o conservador Cameron, para tentar chegar a um acordo. Uma aliança entre os dois partidos é a única opção viável para se ter um governo de maioria, já que juntos eles possuiriam 363 cadeiras. O problema é a diferença de idéias (ideais políticos e sociais) entre os dois. Por exemplo, Clegg e os LibDem querem uma reforma política, a mudança do voto distrital para proporcional, o que fortaleceria o seu partido em futuras eleições. Os conservadores são contra.

Gordon Brown ligou para Clegg e se pôs a disposição para conversar, se eles não chegarem a um acordo com os conservadores. Juntos, trabalhistas e democratas possuem 315 cadeiras, não conseguiriam a maioria, mas poderiam tentar formar um governo de minoria com alguns partidos menores. Os nanicos conquistaram 28 cadeiras, mas não marcharão unidos, já que as diferenças entre eles são muito grandes. São constituídos desde radicais separatistas, até partidos mais progressistas, como o Partido Verde, que conseguiu o seu primeiro assento em toda a história política britânica.

Um governo de minoria, tanto por parte de conservadores, quanto por trabalhistas, também pode governar discutindo para a aprovação de cada matéria, separadamente. Guardadas as proporções, isto ocorreu no governo Alcides Rodrigues (PP), em Goiás, onde o pepista enfrentou uma oposição 'às escuras' na Assembléia Legislativa, já que a maioria sempre foi do PSDB. A cada matéria o governador tinha que dialogar com os deputados e buscar o consenso sobre uma coisa ou outra. É mais democrático, mas muito mais devegar e desgastante.

Até chegarem a um concenso, Gordon Brown continuará como primeiro-ministro. Não há prazo para atingirem um acordo, mas muitos por aqui apontam 25 de maio como o dia D, quando a rainha fará um pronunciamento à nação e falará sobre as prioridades do novo governo. Veremos o que ocorrerá.

terça-feira, maio 04, 2010

Eleições britânicas: labours or conservatives?

Como diria o meu amigo Fellipe Fernandes, texto devido é texto pago. Estou aqui para falar sobre as eleições britânicas, que ocorrem no próximo dia 6, quinta-feira.

A exemplo de qualquer sistema eleitoral no mundo, o britânico também é bem complicado. Morro de rir das matérias que saem nos portais brasileiros com a seguinte explicação: "blá blá blá, e isto ocorre devido ao complicado sistema eleitoral britânico", e não explica o porquê. Acho que, pelo menos por cima, poderiam dar uma luz para o leitor.

No Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (ou apenas Reino Unido-RU) o sistema de governo é monarquia parlamentarista. Isto significa que há uma rainha, Elizabeth II, que é a chefe de Estado e um primeiro-ministro, atualmente o trabalhista Gordon Brown, que é o chefe de governo.

Isto é difícil para nós, brasileiros, entendermos, já que nascemos e crescemos no presidencialismo arraigado. Neste sistema o chefe de Estado e governo é um só, o presidente, eleito pela população, em eleições diretas. Já no parlamentarismo, o chefe de Estado fica com a função de representar e unir o Estado, enquanto que o chefe de governo, é claro, governa.

No parlamentarismo também não há uma divisão muito clara entre executivo e legislativo, já que o primeiro-ministro, chefe do executivo, é membro do parlamento. Vou explicar melhor: é como se no Brasil um dos deputados federais, depois de eleito, se tornasse presidente por ter a maioria de apoio da Casa. Daí o nome parlamentarismo.

Quatro nações fazem parte do Reino Unido: Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte. Para chefe de Estado não há eleições, já que a mandatária é a rainha Elizabeth II e seu cargo é hereditário. O seu reino, inclusive, é um dos mais longos da história - são 58 anos à frente do cargo - e só perde para a legendária rainha Victória.

O cargo de primeiro-ministro, que representa a chefia de governo, é renovado a cada cinco anos. Na próxima quinta-feira os eleitores britânicos vão as urnas escolher os seus 650 representantes na chamada Câmara dos Comuns (que equivale a nossa Câmera dos Deputados).

Diferentemente do Brasil, por aqui o voto é distrital, e não proporcional. Qual a diferença? No nosso país, o número de cadeiras de cada partido é proporcional ao número total de votos, enquanto que por aqui cada distrito tem uma eleição própria, direta, e o vencedor ganha a cadeira. O problema dos métodos é saber qual é melhor e o assunto é polêmico. Inclusive isto é um dos pontos de debate destas eleições, já que existe uma ala política que defende a troca. No Brasil há quem defenda a mudança pelo voto distrital.

Como no Brasil, no RU há dezenas de partidos, mas, como nos Estados Unidos, dois deles dominam a política britânica. Os conservadores (chamados também de Tories) e os trabalhistas são as duas faces do jogo político. Há uma terceira força, os liberais democratas, que vem crescendo muito nestas eleições e que promete ter uma importância grande no próximo governo.

A disputa é assim: depois de eleitos, os membros do parlamento votam internamente para a escolha do primeiro-ministro. Isto serve apenas para ratificar a escolha popular, já que o partido que tem o maior número de cadeiras vai indicar o seu líder como chefe de governo. Este assume o prédio oficial do governo na Downing Street, 10, em Londres.

Os líderes dos três partidos e, assim, candidatos ao cargo de primeiro ministro são o trabalhista Gordon Brown, o conservador David Cameron e o liberal democrata Nick Clegg. O detalhe é que no RU o mandato não é da pessoa, e sim do partido, ou seja, quem alcançar a maioria na Casa escolherá o primeiro ministro pelos próximos cinco anos, ou até que o congresso seja dissovido. Isto é importante em caso de renúncia, como ocorreu em 2007, com Tony Blair. Não houve novas eleições, e o novo líder trabalhista, Gordon Brown, foi conduzido ao cargo.

A campanha começou oficialmente no dia 6 de abril, quando Gordon Brown foi até a rainha Elizabeth II pedir a dissolução da Câmara. A corrida começou com David Cameron um pouco à frente nas pesquisas, vantagem fruto do desgaste trabalhista. É bom lembrar que o partido já controla o governo há 12 anos (dez com Tony Blair e dois com Gordon Brown). Nestes anos, problemas como o apoio às guerras do Afeganistão e Iraque e a recessão criada rescentemente com a crise econômica fizeram com que o partido perdesse credibilidade junto ao eleitor.

Nas primeiras semanas, porém, Brown cresceu e deu mostras de que passaria Cameron para mais uma vitória trabalhista. Então vieram os debates, para desespero do primeiro-ministro. Pela primeira vez na história, o Reino Unido teve debates transmitidos ao vivo pela televisão. Foram três, todos temáticos. O primeiro abordou a política interna, o segundo os assuntos externos e o terceiro a economia e os impostos. Foi então que Nick Clegg decolou.

Declarado vencedor dos dois primeiros debates, o liberal democrata embolou a disputa com os seus adversários. As pesquisas, inclusive, lhe deram uma pequena liderança entre o primeiro e segundo confronto. No terceiro, porém, David Cameron, foi melhor e reassumiu o favoritismo.

O problema é que o jogo continua embolado, o que começa a preocupar investidores e ameaçar um futuro governo. Explico. Vamos imaginar que existam 100 cadeiras e que elas fiquem divididas assim: candidato A, 40, candidato B, 30, candidato C, 30. O candidato A vence as eleições, assume o governo, mas não consegue a maioria. Isto porque os outros dois partidos, unidos, contam com 60 e conseguiriam travar o seu governo. É isto que está ocorrendo atualmente, o que certamente dará força ao partido de Nick Clegg, na composição futura.

O que tenho reparado nestas eleições é que aqui também existe 'vale-tudo' político, como no Brasil. Os britânicos, diferentemente dos brasileiros, não se incomodam. O partido conservador, por exemplo, estampou por Londres um monte de outdoors com a imagem de Gordon Brown e com dizeres contrários ao primeiro-ministro. Existe um que é mais ou menos assim: "eu aumentei os impostos e vou subir a taxa do seguro social. Vote em mim". Embaixo, em letras minúsculas, um outro dizer: "ou vote por mudanças, vote Partido Conservador". Gostaria de ter a foto, para ilustrar, porque achei isto muito interessante. Imagino em Goiânia, por exemplo, se o PMDB colocasse um montão de outdoors com a foto gigantesca de Marconi Perillo com a frase: "Eu prometi X e não cumpri. Vote em mim outra vez". Daria o que falar.

Esta eleição também ficará marcada pelas gafes. A maior delas, indiscutivelmente, foi de Gordon Brown. O trabalhista estava em campanha, quando foi convidado a conversar com uma eleitora histórica de seu partido. A velhinha, que tinha algumas críticas sobre a política interna e economia, começou a fazer questionamentos e a debater com o primeiro-ministro. Depois de muito conversar, Brown despediu-se com sorrisos, entrou no carro e dialogou com um assessor:

- Foi um desastre. Eles nunca deveriam ter me colocado para falar com aquela mulher. De quem foi a idéia? - disse o premier.

O assessor diz alguma coisa e Brown emenda:

- Acho que foi da Sue. Foi ridículo.

- O que foi que ela disse? - insistiu o assessor.

- Ah, tudo! Ela é um tipo de mulher bitolada (radical). Ela disse que é trabalhista. Foi ridículo.

O que Gordon Brown não sabia é que o seu microfone estava ligado e o diálogo, claro, foi gravado e divulgado. O mais engraçado foi a reporter, depois do ocorrido, ir atrás da mulher para contar o que passou e pedir o que ela achava. Eles colocaram o audio do primeiro-ministro para ela ouvir. A velhinha, assustada, arregalou os olhos e disse: "Eu não posso acreditar nisto". Uma dica, se você me aguentou até agora, por favor, veja o video aqui. É muito engraçado, não irá se arrepender.

Esperaremos, então, a próxima quinta-feira, para ver qual futuro os britânicos decidirão para o seu país. Se trabalhistas terão mais alguns anos de poder, ou se os consevadores realmente estarão de volta.

terça-feira, abril 27, 2010

Passado, mas não esquecido

Estou com cinco dias de atraso. Podem parar de pensar besteira, pois me refiro a um aniversário. Motivo do atraso? Correria e um pouco de preguiça, unidos com a tentiva de não escrever dois posts muito juntos. Affff, agora me dei conta que já passa da meia-noite, então são seis dias de atraso.

De qualquer forma, para mim, é uma data especial. Porque ele está sempre do meu lado. Me entende. Não fica bravo quando eu o esqueço. Está sempre disposto a me ajudar, quando preciso. Me conhece muito bem. Guarda consigo coisas que fiz de bom e de ruim nesta vida, e está sempre alerta para me lembrar e/ou alertar de algo.

É claro que estou falando deste blog, que no último dia 22 de abril completou cinco anos. Apesar de não ter comemorado na data certa, faz uma semana que me lembro todo o dia desta marca. E fico feliz por ter chegado tão longe, mesmo que, às vezes, me dá um peso na consciência, já que poderia tratar-lo melhor.

E o que esta raposa da foto tem a ver com isto tudo? - pergunta o leitor. Nada, só é uma comemoração pela aquisição da minha nova câmera digital. Esta foto é do quintal daqui de casa. Aqui em Londres, as raposas perambulam pela cidade, como cachorros. São vistas à noite e de manhã, quando não há muita gente andando pelas ruas. São ariscas e se assustam com qualquer coisa.

domingo, abril 25, 2010

Alcides X Marconi - Round final

O senador e pré-candidato ao governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), teceu duras críticas ao governo Alcides Rodrigues (PP), agora pouco, pelo Twitter. Como estou há um ano fora do contexto político estadual, pensei que o tom dos ataques de ambos os lados já estava neste nível. Errei. Perplexos, amigos jornalistas comentavam em tempo real as declarações do tucano e me atualizaram dizendo que esta foi a primeira vez que o senador criticou tão direta e fortemente o governo de seu ex-aliado.

Como o fim da base aliada é coisa que escrevo desde 2007 (já fazem três anos, como o tempo passa, rsrs!!) achei interessante registrar o ocorrido aqui no blog. Abaixo as declarações do senador, extraídas do Twitter:

"Boa noite a todos.

Vou fazer algumas observações sobre as últimas declarações do pré-candidato a governador do PMDB, Iris Rezende.

A primeira: ele está desinformado ou foi leviano na referência à demolição do Estádio Olímpico, que não ocorreu há 10 anos, como ele diz.

Quem demoliu o Estádio Olímpico foi a gestão inoperante de Alcides Rodrigues, que já era governador em julho de 2006.

Infelizmente,o governador Alcides não conseguiu sequer liberar os recursos q a bancada goiana incluiu no Orçamento da União nos últimos anos

Além da deslealdade, a inoperância e a incompetência reinam absolutas desde o início do governo Alcides Rodrigues.

Para ser honesto, Iris deveria centrar seus ataques na gestão inoperante do governo Alcides, que derrubou o Estádio Olímpico.

Aliás, de novo o pré-candidato Iris deveria criticar a inoperância do governo Alcides, que destruiu o Programa Terceira Via.

O Terceira Via foi criado em nosso governo e era responsável pela conservação e melhoria das rodovias estaduais.

Um registro importante: por ineficiência, o governo Alcides perdeu também os recursos do Bird para o setor rodoviário.

Em nossas administrações, recuperamos mais de três mil quilômetros de estradas destruídas quando assumimos em 1999.

O problema agora é que as empresas tercerizadas do Terceira Via estão há mais de seis meses sem receber do governo Alcides.

O governo deve parar de culpar terceiros pelos seus erros e pedir desculpas pela ineficiência e desmedida letargia.

O pré-candidato Iris sabe que digo a mais pura verdade e tenta culpar o PSDB por razões unicamente político-eleitoreiras."

terça-feira, abril 20, 2010

Rapidinhas

- Estou com algumas idéias de posts aqui para o blog, mas os venho adiando. A razão principal é a falta de fotos, já que eles ficariam muito incompletos sem elas. Poderia sair de casa e tirá-las, mas me falta o principal, uma câmera.

- Pois é, a minha virou cacos há um mês. Derrubei-a durante uma visita a Primrose Hill, um monte anexo ao Regent's Park, um dos parques reais aqui de Londres. Como pão do pobre cai sempre com a mantega para baixo, a última coisa que a lente da câmera viu foi uma pedra se aproximando muito rapidamente.

- Eu acho engraçado a noção de "24 horas" na Europa. Para mim, um comércio "24 horas" fica sempre aberto, pelo menos 360 dias por ano. Outro dia fui a um supermercado "24 horas", em um domingo à noite, e chegando lá descubri que ele só funcionava até as 15 horas. "24 horas" era apenas de segunda a sábado (rs).

- Hoje eu estava em um ônibus quando algo me chamou a atenção. Londres deve ser a cidade que mais tem mulheres motoristas de ônibus ou condutoras de metrô. Já vi várias. É claro que os homens ainda são maioria, mas é interessante notar este avanço social.

- A primaveira chegou com sol, menos frio e animação para os londrinos. É tão engraçado ver quanto o espírito do povo daqui muda a medida que vai chegando o verão.

- Os cuidados com os jardins são um exemplo. No inverno ninguém cuida do seu jardim, e a maioria vira depósito de lixo. Um horror!! Depois que mudamos de estação, um dos hobbies de fim de semana da população em geral é ir cuidar de suas áreas verdes.

- Apesar de muita gente no Brasil estar pensando que a Grã-Bretanha foi engolida pelas cinzas do vulcão islandês, por aqui dias sucessivos de muito sol. De diferente só os aeroportos, que continuam fechados.

- Já tem pesquisas indicando virada de Gordon Brown para cima de David Cameron. Veremos no próximo dia 6 de maio, quando os britânicos vão às urnas.

- Aliás, as eleições por aqui é um dos temas de futuros posts. Também quero escrever sobre a mudança do tempo de exposição solar e a gigantesca comunidade brasileira de Londres.

- Sobram-se filmes, falta-se dinheiro. Ainda não assisti Alice in Wonderland. Gostaria também de ver I love you Philip Morris, com Jim Carrey e participação de Rodrigo Santoro.

- Andando por Londres é possível pegar (de graça mesmo) muitos jornais e revistas. Não são a obra-prima da imprensa britânica, é claro, mas é interessante notar que mesmo um periódico gratuito pode ter a sua qualidade. Muito diferente dos de Goânia, por exemplo.

domingo, abril 11, 2010

Londres depois de dois meses

Argh!! Que cidade cara!! Antes de vir morar em Londres veja bem se a relação custo/benefício compensa. Isto não conta para mim, que não vim fazer dinheiro, e sim estudar inglês. Mas para quem pensa em 'enriquecer' por aqui é preciso tomar cuidado, pois guardar dinheiro pode ser uma grande dor de cabeça.

Na verdade nem tudo na cidade é caro, e sim o aluguel e o transporte. Só de pensar que o que gasto por um quarto aqui (na zona 3, não tão perto do centro) eu alugaria um bom apartamento 3 quartos bem localizado em Goiânia. E mais, pagaria aluguel e condominio tranquilamente, e talvez ainda algumas contas, como luz e água.

O transporte é muito bom, mas tem o seu custo. São 25,80 libras por semana para as zonas 1 e 2. Para mim, que moro na zona 3 e quero economizar (já que o passe desta zona é 30,20 libras por semana), eu preciso pegar um ônibus e esperar cerca de 15 minutos até chegar a um metrô zona 2. Lembrando que os ônibus são livres, ou seja, com qualquer bilhete você pode pegar qualquer linha, independente de zonas.

Então por que não andar só de ônibus? Os ônibus daqui são bem melhores do que os da maioria das cidades brasileiras, mas tem um grave problema de velocidade. Londres é uma cidade bem servida de pontos de ônibus, fazendo com que o trâfico não evolua. De 30 em 30 segundos o ônibus para em um ponto. Chega a dar nervoso.

No aspecto positivo, comida, bens de consumo duráveis e não-duráveis e qualquer tipo de bugiganga daquelas que quando a gente bate os olhos não consegue tirar (um celular novo, um relógio, tênis, camisas de futebol, e etc.....) são muito baratos. Assim como diversão (exceto jogos de futebol, que só são baratos se você comprar o season pass, que te dá direito a ver todos os jogos de um time em um ano). Isto tudo com preços bem atrativos, que consegue conquistar até quem não ganha em libra.

Por isto que Londres é o paraíso dos turistas. Qualquer dia que você ande por Piccadily, Leicester ou Trafalgar Squares, Oxford Circus, Westminister ou qualquer outro ponto turístico da cidade é certo que você passára por centenas, ou até milhares deles. Para mim, que pago as contas por aqui, me dá uma pontinha de inveja poder aproveitar isto tudo sem ter que pensar em se manter. Aliás, tenho a ligeira impressão de que os extrangeiros que moram em Londres não aproveitam a cidade. Ou sobrevivem, ou guardam tudo que ganham para mandar ao seu país de origem.

*Em tempo: Hoje foi a primeira vez deste que cheguei aqui que pude sair na rua sem casaco, apenas com a minha camisa polo tradicional. Clima agradável de primavera.

terça-feira, abril 06, 2010

Kick Ass - diversão e sangue

Uma das coisas boas de morar na Europa ou nos EUA é poder conferir os lançamentos do cinema bem antes do que se estivesse no Brasil. Esta tarde eu tirei um tempo livre para assistir Kick Ass, que em 'português' se chamará Kick Ass - Quebrando Tudo. Apesar de já ter entrado em cartaz há uns 15 dias, no Brasil ele só será visto a partir do dia 11 de junho.

O filme é a adaptação da HQ de mesmo nome, do escocês Mark Millar e do norte-americano John Romita Jr. e conta a história de Dave Lizewski (Aaron Johnson) que, encabulado por ninguém nunca ter tentado virar um super-herói, decide vestir uma roupa, adotar uma identidade secreta e ir a luta, literalmente. Adota o nome de Kick Ass ('Chutar o Trazeiro', em tradução literal).

Neste ponto entra a maior diferença em relação as histórias de heróis convencionais. Dave é uma pessoa comum, um nerd para dizer a verdade, que não tem sucesso com as garotas e passa todo o seu tempo livre em uma loja de quadrinhos lendo histórias com seus amigos. Ou seja, nada de poderes especiais ou qualquer coisa do gênero. Toda esta história só podia ter um resultado: ação patética ou violência extrema. Ficamos com o segundo.

Logo na primeira tentativa de virar um herói, Dave é esfaqueado e atropelado. Recuperado, ele tenta de novo e, depois de muito apanhar, consegue salvar a vida de um rapaz, mesmo ao acaso e com muita sorte. O video do "herói sem poderes" cai no You Tube e ele vira celebridade da noite para o dia.

Só que isto não lhe dá poderes, habilidades ou experiência de combate ao crime. Em uma outra investida, Dave esbarra com os interesses de uma corporação do crime organizado, encabeçado por Frank D'Amico (Mark Strong), um chefão que não poupa crueldade. Dave estaria liquidado se não fossem mais dois heróis entrar em cena. O Big Daddy, Damon Macready (Nicolas Cage), e a Hit Girl, Mindy Macready (Chloe Moretz), são pai e filha que chegam para equilibrar a situação.

Nesta hora entra o detalhe que vai deixar até o menos conservador de cabelo em pé. Mindy é nada menos do que uma menininha de 12 anos, mas que em combate se transforma em uma máquina de guerra e não para antes de aniquilar o último bandido. Além de xingar toda hora, a garota 'derrota' os inimigos de uma forma tão violenta que quando entra em cena é difícil ver outra coisa a não ser sangue jorrando pelo chão e paredes. Já na sua primeira aparição, ela acaba com um grupo de oito bandidões, com direito a muita faca atravessando corpos e vôo de pernas multiladas.

A violência é a tônica do filme. Eu que achava que Kill Bill havia passado um pouco dos limites agora tenho um outro patamar de comparação (rsrs). Ou seja, quem não gosta de sangue, dedos multilados a sangue frio ou pessoas sendo rodadas dentro de um micro-ondas até explodir, fique longe das telas. O lado bom para os puritanos de plantão é que o filme deixa bem claro a mensagem: "meninos, não tentem isto em casa".

Como não podia ser diferente, a trama gira em torno da tentativa de Big Daddy e Hit Girl tentar acabar com o bando de Frank, com a ajuda atrapalhada de Kick Ass. No meio ainda aparece Red Misti, Chris D'Amico (Christopher Mintz-Plasse), um quarto 'herói', filho do chefão Frank, que se infiltra para tentar ajudar o pai.

O interessante em Kick Ass é originalidade de trazer o mundo dos super-heróis para a vida real. Neste aspectado a violência tem seu lado positivo, pois o filme mostra que nós somos humanos limitados e qualquer tentativa de combater o crime com as próprias mãos tem 99,9% de chance de acabar em fracasso, ou melhor, morte. Além disto, há várias piadinhas bem boladas, além de cenas que fazem paródias dos filmes de heróis convencionais. Em resumo, uma boa diversão para quem não se importa de ver sangue por toda parte.
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