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quarta-feira, setembro 07, 2011

São Paulo mais uma vez

Deve ser minha veia paulista, mas me sinto bem em São Paulo. Fábio Barbieiro, meu amigo paulistano, nunca entendeu como uma pessoa pode gostar daquela cidade. Mas acho que isto é impressão de quem mora e convive com os problemas da metrópole. Para mim, que venho de fora, é uma ótima oportunidade de andar, andar e andar pelas ruas da cidade, sem nenhum compromisso.

Este ano o festival italiano de Nsa. Achiropita estava muito concorrido: tanto em espaço na rua, quanto para conseguir um prato do maravilhoso espagueti. Mesmo assim, é sempre ótimo visitar as ladeiras do Bixiga e comer uma refeição que lembre um pouco a minha pátria italiana.

Como não pode deixar de ser, também dei a passada tradicional no Teatro Abril para assistir um musical. Em cartaz, o famoso Mamma Mia, construído sobre as músicas da banda Abba, sucesso nos anos 70, 80, 90 e até hoje, rsrs!!

Já é costume (e desta vez não foi diferente) que os musicais da Broadway adaptados no Brasil são de ótima qualidade. A história da peça é a mesma do filme, não tem nenhuma surpresa. A produção, porém, impressiona. Gostei da atuação de Pati Amoroso (Sophie), que, apesar de alguns deslizes, esteve muito bem. Ela é jovem e a medida que for ganhando experiência promete ser uma ótima atriz de musicais. Como Kiara Sasso (Donna), que já fez vários espetáculos e, em cena, bate um bolão. Destaco também Arízio Magalhães (Sam), que é substituto do badalado Saulo Vasconcelos, porém canta e atua muito bem.

Duas cenas se destacam. A última do primeiro ato, quando dezenas de atores contracenam dançando e cantando a música Voulez-Vous, é grande e impressiona. Outra, de menor dificuldade, mas muito bonita, quando Arízio canta para Pati a música Knowing me, Knowing you.

Um final de semana em São Paulo é pouco, mas estar lá ao lado dos amigos é renovador. É claro que sempre falta alguém, porém isto faz parte da vida e o importante é aproveitar o momento.

domingo, junho 29, 2008

Chegada

Para mim a noite foi instantânea. Quando acordei, tive a certeza de ter dormido um sono maravilhoso e estava totalmente revigorado para, finalmente, ir de fato para a casa. Arrumamos as coisas rapidamente e saí para tirar dinheiro. A caminho do banco bateu um pequeno desespero, já que não tínhamos muito tempo de sobra e em Congonhas é sempre bom chegar o mais cedo possível. Assim, apertei o passo e voltei logo para tomar café da manhã.

O albergue chamou um táxi para nós e saímos rumo ao aeroporto. No caminho, o trânsito estava lento, em uma típica manhã de sexta-feira em São Paulo. Nesta hora notei que minha preocupação anterior tinha fundamento. No final, porém, chegamos com uma boa margem para fazer check-in e embarcarmos tranqüilamente.

Na fila do atendimento, uma atendente com um palm-top foi adiantando o meu check-in. Peguei a última poltrona de janela. Despachamos as bagagens e seguimos para o embarque. Depois que passamos pelo raio-X, deparamos com um salão lotado de passageiros. Estávamos em meio à crise aérea, o que nos deixou preocupado. Felizmente, o atraso foi pequeno, o que não deixou de ser um grande lucro devido à conjuntura do momento.

A vigem foi muito tranqüila. A cada minuto de vôo aumentava a expectativa de chegar em casa. O avião chegou pelo sul de Goiânia e sobrevoou toda a cidade pelo oeste até se aproximar do Aeroporto Santa Genoveva pelo norte. De cima vi o meu bairro, a maior parte dos pontos chaves da cidade, apreciei o Morro do Mendanha, observei o Campus da UFG e a GO para Nerópolis. Até parecia que o piloto estava fazendo um tour na cidade para nós matarmos a saudade após tantos dias fora.

Foi muito bom pisar em solo goiano outra vez. Havíamos chegado, graças a DEUS. Mal pude agüentar o tempo de espera para pegar a minha mala e sair de lá. A primeira pessoa familiar que encontramos foi a Erika, que nos deu uma carona até o centro, na casa do Rodrigo. De lá segui de táxi. A cada rua que passava uma nova emoção. Sentimento de quem saiu, viu tudo o que vimos, passou todos os ‘sufocos’, praticamente cruzou o continente sul-americano, e que agora estava em casa novamente. Ao descer do táxi e pegar as malas, vi a mesma fachada do prédio que havia me despedido 26 dias antes. O subir do elevador, o abrir da porta..... Pronto!! Estava em casa de novo.

Mapa do Caminho - Dia 26

Data: 29/06/2007
Saída: São Paulo (SP), Brasil
Chegada: Goiânia (GO), Brasil
Distância percorrida no dia: 960 km
Empresa aérea: Gol Linhas Aéreas
Duração da viagem: +- 1h30min
Tarifa: +- R$ 180,00

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Em tempo, agradeço a todos que acompanharam a minha nova jornada, este ano viajando por meio das palavras, e comunico que este blog ficará alguns dias de recesso depois de tantos caracteres escritos diariamente.

sábado, junho 28, 2008

De volta ao mundo lusofônico

Decolamos por volta de meia noite e meia do Aeropuerto Internacional Jorge Chávez. Estava nas primeiras fileiras de poltronas, do lado esquerdo, entre uma gringa, que parecia escandinava pela brancura da pele, e uma outra de nacionalidade desconhecida e que não tinha a mínima noção de espaço. Por estar no meio eu era o mais prejudicado, e esta mulher ainda queria estender suas pernas no pequeno local onde eu espremia as minhas.

A viagem tinha duração de quatro horas, mas como voltaríamos ao horário de Brasília (duas horas a mais do que o de Lima) chegaríamos a Buenos Aires pouco depois das seis e meia da manhã. Ou seja, nossa noite teria duas horas a menos. Só consegui dormir uma hora no avião, mesmo assim muito mal. Meu corpo doía todo naquele espaço minúsculo. Uma hora antes da decolagem, comecei a ter uma sede incontrolável. Chamei a aeromoça e ela me trouxe um ‘vaso de agua’, que se limitava a três dedos de água. Não deu nem para o começo.

Depois que passamos das seis da manhã, começou a dar desespero. Torcia para que a viagem estivesse no final. Tive que esperar mais quarenta minutos para começar a movimentação das aeromoças. Que alívio! O dia começou a amanhecer, mas não se via nada de fora da janela. Pensei que estávamos sobrevoando meio a uma nuvem, porque não dava a impressão de estarmos descendo. Quando a visão ficou limpa, porém, já estávamos a poucos metros da pista. Era neblina. Menos mal, pois havíamos chegado na fria Buenos Aires.

Quando desembarquei bateu um grande desânimo. Não tinha dinheiro para sair do aeroporto e usar as oito horas que tínhamos ali para conhecer a cidade, já que para voltar depois teria que pagar novamente a taxa de embarque. Somava-se ainda a fome, sede e sono. Tratei logo de solucionar os dois primeiros problemas. Como não achei uma casa de câmbio perto, fui a um restaurante próximo e usei cartão de crédito. Comi um lanche, bebi um refri e logo meu humor começou a melhorar.

A seguir fui conhecer o aeroporto. Descobri que a área internacional era mais do que o dobro do tamanho que eu imaginava. Muitas e muitas lojas, mas todas com um defeito em comum – preços bem caros. Perdi a conta de quantas voltas eu dei por lá. Acho que gastei o piso do aeroporto de tanto ir de um lado para o outro, para passar o tempo. Quando cansei, deitei-me nos bancos e tirei um cochilo.

Entre um cochilo e uma batida de pernas, o tempo foi passando. Logo estávamos na hora do almoço, mas preferi economizar e deixei para comer no avião. O nosso vôo saía as duas e meia da tarde e chegaria em São Paulo pouco depois das cinco horas. Desta vez não houve atrasos. Logo depois das duas, uma funcionária formou a fila e prosseguiu o embarque.

Desta vez a minha viagem só não foi pior porque o vôo não estava cheio. O lugar de janela ao meu lado não foi vendido. Essencial, já que quando fui sentar na minha poltrona, no meio outra vez, percebi que eu não cabia no espaço destinado. Os braços da poltrona meio que entortaram quando eu insisti. Pulei para a janela e fiquei torcendo para que ninguém aparecesse.

Apesar do cansaço a viagem foi muito legal. Logo na decolagem deu para ver o Rio da Prata e a costa uruguaia. Depois da comida, fiquei observando e, de longe, avistei Florianópolis. O avião ia acompanhando a costa brasileira em uma bonita tarde de sol. Desta vez foi o contrário, lamentava a medida que o vôo ia chegando ao final. Nos últimos quarenta minutos, conheci um menino boliviano que viajava no banco da frente e que voltava, com os seus pais, para Santa Cruz de la Sierra. Fiquei conversando com ele até o desembarque.

Foi uma das poucas vezes na minha vida que achei bom ser brasileiro. Assim que apontamos no corredor da imigração, vimos uma grande fila à esquerda. Não deu nem tempo para lamentar, já que ao lado havia uma placa informando: “Brasileiros à direita”. Ou seja, sem filas. Para fazer um teste, guardei o passaporte e mostrei a carteira de identidade para o oficial da Polícia Federal. Ele deu uma olhada rápida na frente e no verso e me deixou passar. Para agradecer acabei me enganando e soltei um “gracias”. Coisas que a gente faz depois de tantos dias longe do nosso país.

Já no lado de fora do Aeroporto de Guarulhos, precisávamos encontrar um meio de transporte para o centro de São Paulo. Por mim iria de ônibus e economizaria um dinheiro, já que minhas reservas financeiras estavam bem baixas. Porém, os outros quiseram dividir um táxi e acabei não querendo ser o ‘chato da história’. Como foi bom estar de volta em um táxi brasileiro, falando português, vendo as placas na rua em nosso idioma, estando novamente em uma cidade brasileira. Estava com saudades de tudo isto.

O taxista, porém, se complicou na hora de procurar o nosso hostel, no centro. Não sabia onde era a rua Barão de Campinas. Ligou um GPS, contatou a central, mas no final o que valeu mesmo foi a minha memória, já que sempre fico lá quando vou a São Paulo. Como só eu e o Rodrigo optamos por ficar no albergue, entramos e pedimos um quarto duplo. Já era noite nesta hora. Estava tão cansado que mal conseguia manter os olhos aberto. Fomos até a lanchonete do próprio hostel e comemos um cachorro quente. No quarto liguei a televisão, mas não agüentei ver um minuto de “A Grande Família”. Adormeci como uma pedra, e nada me acordou até a manhã seguinte.

Mapa do Caminho - Dia 25

Data: 28/06/2007
Saída: Buenos Aires, Argentina
Chegada: São Paulo, Brasil
Distância percorrida no dia: 2.375 km
Empresa aérea: Aerolineas Argentinas
Duração da viagem: +- 2h30min
Tarifa: +-R$ 720,00 (de Lima a São Paulo) + taxa de embarque (US$ 30,75)

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