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sábado, setembro 19, 2009

Roma IV - Os monumentos

Outro dia descobri aquela ferramenta que vê o que a pessoa escreveu no orkut para acabar acessando o seu blog. Achei legal que, pelo que escreveram, a maioria das pessoas foram parar em posts que respondiam as suas perguntas. Fiquei feliz por este espaço estar cumprindo bem o seu papel informativo.

Vamos lá para mais um post, digamos, útil? Seguindo a série 'Roma - Aventurações', queria sugerir algumas dicas para quem vem e quer ver o melhor da cidade em pouco tempo. Eis os monumentos indispensáveis em Roma.

Gosto de dividir um passeio na capital italiana em três partes: as piazzas, a região do Coliseu e dos Foruns Romanos, além do Vaticano. Você pode querer saber: dá para reservar um dia para cada um? A resposta: depende do grau de profundidade que você quer ter na sua visita. Explico melhor, parte por parte.

1 - As 'Piazzas'

São quatro que você não pode perder: Repubblica, Spagna, Popolo e Navona. Ficam todas relativamente perto uma das outras, então o acesso não é difícil. O problema, em relação a tempo, é que elas ficam localizadas bem no centro da cidade, no meio de ruas fascinantes, tanto por sua arquitetura, como pelo comércio tentador. Para quem tem $ e quer fazer compras, recomendo a Via del Corso, Via del Tritone, Via del Babuino, além de todas as outras que cruzam estas, como a famosa Via Condotti. Não deixem de ver também as dezenas de igrejas e palácios que existem na região. O Pantheon, perto da Piazza Navona, é visita obrigatória. (Observação depois do post publicado, atualizado 20/09: Como fui me esquecer do que, para muitos, é o monumento mais belo de Roma. A Fontana de Trevi é mais do que obrigatório, é intimação conhecê-la. E jogar uma moedinha, se quiser voltar a Roma. Fica na mesma região das praças).

2 - Coliseu e arredores

Falar de Roma é, sem dúvida, falar do Coliseu. Se você gosta de história e arqueologia, esta é a sua região. Pode-se ver o Coliseu de fora, tirar fotos, apreciar, mas entrar e conferir por dentro não tem preço. Ou melhor, tem, já que o passeio custa 12 euros. Com o mesmo bilhete, porém, dá para entrar também no Palatino e nos Fóruns Romanos. Não deixe de conferir os arcos, principalmente o de Constantino e o de Titus. Logo atrás do Palatino há o Circo Massimo, ou o que restou dele. Lá era onde ocorria as famosas corridas de bigas. Hoje, porém, é apenas um velho campo gramado. Mas vale a pena a visita.

3 - Vaticano

Três são os pontos principais: a Basílica de São Pedro, os Museus Vaticanos e o Castel Sant`Angelo. A Basílica é de graça, mas não se esqueça de ir vestido apropriadamente, com vestes discretas, pelo menos até o joelho, e camisas, ou camisetas, que cubram os ombros. Caso contrário será barrado. Lá dentro passe nas tumbas dos papas e, se tiver com o orçamento em dia, pague 6 euros para subir até a cúpula. Para os museus, dê a volta nas muralhas e pegue a fila quilômétrica. São 14 euros, mas vale a pena. Principalmente pela visita à Capela Sisitina, obra prima de Michelângelo. Há também vários outros museus que você poder visitar com o mesmo ingresso. O Castel Sant'Angelo é 6,5 euros, outra visita que não pode faltar.

E o tempo: vai do gosto de cada um. Acho que o mínimo é um dia para cada área. Mas se você gostar de compras e ar livre, vai querer passar mais tempo nas belas ruelas do centro de Roma. Se prefere história, certamente terá que retornar aos sítios arqueológicos perto do Colisseu. Se ama a arte, não vai passar menos que um dia só nos Museus Vaticanos. Se é muito religioso, vai ficar mais de mês conferindo as centenas de igrejas. A opção é sua.

terça-feira, setembro 15, 2009

Roma III - Prós e contras

Já estou alguns dias na segunda etapa da minha viagem. Depois da cidadania reconhecida, estou passando alguns dias em Roma. Aliás, a capital italiana deverá ser o meu QG até o final desta viagem. Na semana que vem, porém, já parto em um giro por algumas cidades européias. Falarei mais no futuro.

Esta é a segunda vez que venho para Roma. Na primeira fiquei apenas dois dias e foi muito corrido. Contudo, foi sensacional, pois vim com um pessoal muito gente boa que também estão por aqui em busca do reconhecimento da cidadania.

Agora, com mais tempo, estou avaliando melhor a cidade. Como eu já escrevi por aqui, Roma é grande. A riqueza arqueológica é impressionante. As ruas respiram história. É tanta coisa para ver, tocar e sentir que a gente fica até perdido.

Por outro lado, Roma tem um lado muito caótico. O trânsito é terrível. Nos horários de pico há congestionamentos por toda a cidade. Me lembra Goiânia, naquelas tarde insuportáveis, em que cruzar a T-9 é impossível por qualquer rua que se pegue. Roma também tem um problema de falta de limpeza. É uma pena, mesmo sabendo que o lado positivo compensa de longe o negativo.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Ótima surpresa - Lucca

Quando se pensa em Itália logo vem a mente várias cidades famosas como Roma, Milano, Torino, Pisa, Firenze, Napoli..... Quem nunca viu uma imagem do Coliseu, escutou as histórias da renascencia em Firenze ou ouviu falar da torre inclinada de Pisa? A Itália, porém, é mais do que a imagem criada no consciente coletivo. Como todo país, há jóias escondidas, prontas a serem descobertas.

Apesar de ser a capital de uma província, um leigo nunca pensaria em ir a Lucca, cerca de 30 minutos de trem de Pisa. Desde que cheguei por aqui ouvia falar sobre esta cidade, mas nunca tive vontade de visitá-la. Até que, há algumas semanas, topei em dar um pulo por aquelas bandas.

Lucca foi uma colonia romana que, durante a idade média, viu a construção do mais moderno muro de proteção daquela época. A muralha demorou um século e meio para ser construída e circunda todo o centro antigo. O detalhe mais legal é que não é apenas um muro, mas sim um nível superior, já que a sua espessura é tão grande que em cima há árvores, pequenas casas, área para passeio e até um calçadão. Ele tem cinco quilometros de comprimento e, como nunca foi utilizado em batalha, permanece inteiro até os dias atuais.

Aproveitando a polivalencia dos recursos da internet (rsrs) resolvi fazer alguns pequenos videos para ilustrar o post. Este primeiro é da entrada da cidade.



Já em cima da muralha, dá para ver a cidade do lado de fora e o centro antigo, no lado de dentro.



Explicando um pouco melhor como funciona o muro da cidade.



Mostrando como funciona os portais da cidade, que podiam isolar o centro urbano em caso de guerra.



Novamente em cima do muro, agora em uma outra parte, falando sobre o sistema antigo de vigilancia da cidade.



Nas ruas antigas e estreitas, o charme da cidade de Lucca.



Na Piazza Anfiteatro.



Despedindo de Lucca, passando sob as muralhas.



Fica a dica para quem vem a Itália: tendo um tempinho vale a pena incluir Lucca no roteiro. O tamanho e a arquitetura do local não só nos deixam fascinados como turistas, mas também nos faz bater uma pontinha de vontade até mesmo de fixar residencia em tão belo local.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Explicações

Dizem que quando o caldo do pobre desanda, a coisa fica preta. Depois de cinco dias de dor de dente, eis que me vem uma dor de garganta. Putz!! Fiquei pensando no que ando fazendo e nos pecados que tenho cometido, enfim, para encontrar uma explicação, rsrs.... Meu DEUS!!

Mas, graças a ELE, tudo 100% de novo. Tirando o calor. Fui sair de Goiania para sofrer de calor na Itália. Macchè!! Ontem a temperatura passou dos 40 graus. O problema é que a temperatura daqui é diferente da de lá. Não sei porque, acho que devido a umidade, a sensação de 30 graus aqui, por exemplo, é muito pior do que em Goiania. Aqui se gasta várias camisas em um só dia.... Voce sai do banho molhado de suor.

No meio do calor, voltando do supermercado, até que tive uma boa surpresa. Pela primeira vez alguém me parou na rua para me perguntar uma direção e eu sabia explicar. Estava fazendo a rótula para entrar na rua de casa, quando uma senhora encostou o seu carro e perguntou: "Para Roma?". Achei muito bom, porque era só ela ir reto que terminaria na estrada, mas eu enchi o peito e incrementei a explicação.

Como aqui é uma região turística, no verão vem MUITA gente de fora. E é claro que quase ninguém sabe andar pela cidade. Já perdi a conta do número de vezes que alguém me parou e eu nem sonhava em saber aonde ele queria chegar, já que também sou novo por aqui.

Pouco depois, já em casa, estava estendendo roupas na sacada quando um outro carro parou e um sr. me perguntou se seguindo reto chegaria no mar. "Chega também, mas é mais fácil voltar e ir pelo centro". Pronto, já estava pós-graduado em informações, rsrs.

domingo, agosto 16, 2009

Aviso aos navegantes

To sem inspiração (para não falar outra coisa, rsrs) para atualizar o blog. Uma dor de dente (ciso) horrível me ataca desde de sexta-feira. Espero estar bem logo para escrever, já que não me faltam assuntos. No início da fila está a visita à belíssima cidade de Lucca.

sexta-feira, agosto 07, 2009

As regras do jogo

Eu sei que já comparei a minha saga pelo reconhecimento da cidadania italiana com o Big Brother, mas a cada dia que passa as semelhanças são tantas que é inevitável voltar ao assunto. As vezes me deito na cama e fico olhando para o alto, a procura das camaras. Não é possível que ninguém esteja assistindo isto. Que desperdício, rs.

Mesmo podendo sair de casa, ver novas pessoas e entrar em novas aventuras, a situação do jogo atual não nos poupa da rotina de não ter nada de produtivo para fazer. Há praga pior para o cérebro do que isto? As vezes acordo angustiado e o sentimento só vai passando com o desenrolar do dia. É, a pior espera é aquela que voce não sabe quando vai terminar.

Menos mal que há toda uma política de relacionamento entre os participantes deste jogo, o que não o deixa tanto monótono. Os sentimentos, porém, muitas vezes, parecem mergulhados em um bojo de liquidificador, pronto para bater. Pode ir do insuportável ao maravilhoso em poucos minutos.

O jogo, enfim, é assim. As regras são estas, o caminho é este. Quando mais chego perto do final, mais ele espicha. É como um labirinto, que voce não sabe quando conseguirá sair. A palavra por aqui é controlar os sentimentos e torcer para que o tempo passe rápido. Espero que consiga atingir a linha de chegada antes que o liquidificador estrague e a massa vaze sobre a pia e respingue no chão.

PS: A série Roma ainda terá outros capítulos por vir. Este post foi só um intervalo.

sábado, agosto 01, 2009

Roma II - O metro

Roma tem duas linhas de metro. A principal é a vermelha, que liga a Estação Termini a pontos estratégicos da cidade, como a Piazza Spagna ou o Vaticano. A secundária é a azul, que cruza com a primeira no Termini e liga os romanos a outros marcos da cidade, como as Estação Tiburtina e Ostiense, o Colisseu e o Circo Massimo.

As linhas C e D já estão planejadas. A C-verde, inclusive, já está em construção, cruzará a linha A nas estações Otaviano e San Giovanni, e a B na estação Colosseo.

Para uma cidade de quase 3 milhões de pessoas, Roma tem uma rede de metro pequena, em comparação às outras cidades da Europa. O fator complicador é que toda a capital italiana é zona arqueológica, e antes de fazer qualquer construção subterranea é necessário estudos e mais estudos. Com isto, é claro, o quilometro do metro fica muito mais caro.

No domingo, 26, utilizei pela primeira vez a metropolitana de Roma, juntamente com um grupo de amigos. Saimos da estação Vittorio Emmanuelle rumo ao Vaticano, estação San Pietro. Entre a primeira e a terceira estação (Repubblica) fiz um pequeno video dentro do trem. Confiram!

quarta-feira, julho 29, 2009

Roma I - A ode

Muito antes deste escriba resolver ir para a Europa, ou até mesmo antes de saber o que era lead ou agenda setting, durante uma aula de cursinho, um professor empolgado disse uma frase que nunca esqueceria: "Roma foi grande!".

Não deixaria aquela frase escapar da minha mente porque foi repetida umas 2.000 vezes durante a aula de história. O cara era pra lá de empolgado com Roma, e achava que a aula dele era a oitava maravilha do mundo. A aula foi legal, mas a frase, sem dúvida, melhor.

Ela, porém, tinha uma falha. Roma não foi grande, Roma é grande. Ou melhor, Roma é surpreendente. Mesmo com tudo o que a gente estuda durante 20 anos de ensino fundamental, médio, e outros, a cidade consegue te causar surpresas a cada esquina. É só virar em uma rua e pode ter certeza que Roma vai te surpreender.

Roma é a expressão do mundo ocidental. Uma cidade que virou império e que depois voltou a ser cidade. Não tem monumentos. A própria cidade é um grande centro histórico cheio de aspectos do mundo. Não só a capital da Itália, mas da nossa própria cultura.

Um labirinto imprevisível. Mesmo com um mapa na mão a probabilidade de voce se perder é grande. E que se perca. Porque se não chegar onde previa, vai se surpreende com outra parte da cidade que nem pensava em ver naquele momento. Roma é assim. Imprevisível. É Roma.

quarta-feira, julho 22, 2009

O bruxo em italiano

Em Goiania já era tradição: segunda-feira, dia de ir ao cinema. Quando fixei a data de vinda para a Itália sabia que não manteria este costume, mas tinha certeza de que o primeiro filme que veria na telona era Harry Potter e o Enigma do Príncipe, ou Harry Potter and the Half-Blood Prince.

Aqui na Itália, porém, o correto não é o primeiro e nem o segundo nome. Naturalmente, se chama Harry Potter e il Principe Mezzosangue. Só que a tradução para o italiano não para por aí. Diferente do Brasil, os filmes exibidos aqui são todos traduzidos. Nada de língua original e de legenda.

Já que moro em um centro pequeno, há apenas dois cinemas na minha cidade. Um deles, acreditem, está fechado devido às férias de verão. Coisa de italiano. O outro só está exibindo um filme em um única sessão diária, às 22:00. Por minha sorte o filme da vez é o do bruxo. Hoje criei coragem e encarei.

Logo na entrada um ponto positivo em relação ao Brasil. O ingresso inteiro custa 6,5 euros, ou seja, bastante acessível para os cidadãos daqui. Na Itália não tem meia, mas sim um preço reduzido que, se não me engano, era de 4,5 euros.

O cinema só tem uma sala, grande e confortável. Tá, o espaço entre filas é pequeno, mas para o meu tamanho sempre é e sempre será, independente do local. A poltrona não tem um encosto muito grande, mas é de veludo e bem fofa.

Notei que era, talvez, a única pessoa que havia ido sozinho. Casais de namorados, famílias, mãe e filho. O cinema por aqui é lazer para grupos. Não diferente do Brasil, é verdade. Antes do filme, música. Não fugindo a atual regra, um repertório inteiro de Michael Jackson.

Queria avaliar a pontualidade. Não estou na Inglaterra, mas mesmo na Itália as pessoas são muito mais pontuais do que no Brasil. Ponto positivo. Exatamente às 21:59 mais 30 e alguns segundos a iluminação abaixou e o filme começou.

Nada de traillers, nem dos famigerados comerciais. A primeira imagem que veio foi o símbolo da Warner Brothers e daí já prosseguiu-se. A tela não era grande e as cortinas para os corredores não foram fechadas, deixando entrar iluminação para dentro da sala. Ponto negativo.

Exatamente na metade do filme a projeção parou. Hora do intervalo. Todos de pé para irem no banheiro, ou comprar mais pipoca.

O meu maior temor era em relação à língua. Ver algo em outro idioma sem legenda não é fácil. A história foi amadurecendo e, se eu não entendia 100%, pelo menos não fiquei perdido em nenhuma parte. É claro que já tinha lido o livro duas vezes, e já conhecia bem a história, mas até mesmo nos trechos que foram enxertados pelo roteirista não tive maiores problemas. Nas piadas a minha moral só aumentava, já que eu conseguia compreender e rir juntamente com a platéia italiana.

Não vou avaliar o filme, até porque estava tão rodeado de coisas novas que preferi me divertir ao invés de 'caçar defeitos'. Aliás, na minha humilde opinião, este foi o melhor livro de todos os sete. Achei falta de uma batalha mais ampla no final, como é narrado por J.K. Rowling. Saí do cinema satisfeito, pronto para a próxima. Desde que, é claro, o enredo não seja tão profundo que meu italiano não de conta do recado.

PS.: Estive um pouco ocupado nos últimos dias, por isto não atualizei. Continuarei com as novidades constantes. Tenho muita coisa para escrever, sobre a minha ida a Pisa, o festival latino-americano em Milão, os banheiros públicos na Itália, as minhas primeiras experiencias como motorista, além das clássicas, como andar de trem na Itália e quanto custa para morar por aqui. Aguardem!!

sábado, julho 04, 2009

Big Brother..... Itália

Sempre tive uma opinião pouco republicana sobre o Big Brother, programa criado na Holanda e comercializado em todo o mundo pela Endemol. Enquanto vários ‘diplomados’ e politicamente corretos não se cansam de pichar o reality-show, eu vou na contra-mão e consigo enxergar aspectos interessantes.

Você deve estar pensando que falo das bundas estrategicamente bem focadas, ou do prêmio de R$1 milhão, bolada levada pelo último vencedor da versão brasileira. Não. É claro que as ‘traseiras’ das participantes são desejadas, assim como o dinheiro me viria bem a calhar, mas me refiro a algo mais profundo.

A convivência diária e intensiva com pessoas, até então, desconhecidas, e a necessidade da criação de toda uma política de interação e sobrevivência, sempre me cativou. Não escondo que tenho um lado de interesses psicológicos intensos e que uma experiência deste tipo é desejada.

Ainda não fui selecionado para o Big Brother Brasil, Itália, Argentina ou Fim-do-Mundo, mas ando tendo uma experiência interessante aqui no velho continente. Já que não conhecia pessoalmente nenhuma das pessoas das quais estou compartilhando o mesmo espaço, sinto-me no meio de um jogo como o da TV.

Para deixar a coisa ainda mais ‘realista’, há cerca de 15 dias estou meio que confinado em casa, à espera do vigile (tipo de um policial municipal) para a confirmação da minha residência. Não posso sair nos dias úteis, no horário comercial. Quando o relógio chega às 18:30 me sinto como se tivesse terminado o ‘castigo’ do dia.

Por enquanto não tenho enlouquecido. Principalmente porque as pessoas aqui ‘da casa’ são muito gente boa e eu já vim preparado psicologicamente para toda esta situação. Sinto que esta é a primeira, mas não será a última vez que passarei por uma situação deste tipo. Tomara, já que são ocasiões ricas e de aprendizagem. Talvez, sei lá, no futuro, esta experiência possa ser realmente rica, literalmente, rsrs.

quinta-feira, junho 25, 2009

Por que eu não vi o Coliseu?

Depois de uma noite mal dormida eu já sabia que teria que sacrificar algum dos meus planos. Chegaria em torno de uma da tarde em Roma e poderia me mandar para a Toscana apenas no final da tarde. Passaria algumas horas na cidade, tempo suficiente para conferir o seu maior monumento, o Coliseu. Pelo menos este era o meu plano principal.

A viagem entre Lisboa e Roma foi torturante. Desde a decolagem eu só pensava em chegar à capital italiana e não ter que embarcar em mais nenhum avião. Do alto eu vi a linda Sardenha, com suas praias maravilhosas. Senti um alívio gigantesco quando um dos comissários anunciou o pouso.

Demorou para mim pegar as malas. Aliás, o sistema de entrega de bagagens do Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci deixa um pouco a desejar. Estava receoso em relação ao meu italiano e já sentia um pequeno medo por estar, pela primeira vez, sozinho em um país que não fala a minha língua.

Logo fui descobrir que meu italiano estava bom. Pouco antes do desembarque fui parado por um policial que me fez as perguntas básicas. Deu uma boa olhada para as minhas malas, mas não as abriu. Me virei bem.

Na saída mais uma prova de que podia ficar um tanto quanto sossegado em relação ao novo idioma. Um motorista de táxi veio me oferecer uma corrida e eu, logo após negar, já emendei: “Dovè la stazione? (Onde é a estação)”. E não é que ele me explicou direitinho, tanto que nem errei o caminho? Comprei uma passagem para o Leonardo Express (que liga o aeroporto a Roma Termini, principal estação da cidade), e embarquei.

Neste momento eu percebi que logo teria um fardo a carregar, literalmente. Levar mais de 30 quilos de bagagem não é brincadeira. Fui descobrir isto na pior hora possível. Não havia outro remédio.

Além da mochila que levava nas costas (com 15 quilos), carregava mais uma mala (14 quilos) e uma mochila (7 quilos) nas mãos. Com o tempo as alças da mala foram ferindo os meus dedos e meus músculos começaram a doer. Imaginem a cena: eu, em Roma Termini, não conseguindo carregar a minha bagagem.

A vontade era largar tudo em um canto e ir embora. Como não era possível, e eu muito apegado às minhas coisas, continuei a carregá-las. Foi inevitável. Quem passou do meu lado, sem dúvida, teve um pouco de dó. Eu carregava as malas durante uns 30 segundos e parava para descansar. Não conseguia ir além. Na somatória dos problemas eu não sabia onde tinha que ir para comprar a passagem de trem e a estação era enorme. Me perguntei mais de uma vez: “o que estou fazendo aqui?!”

Nesta hora já sabia que minha visita ao Coliseu (há alguns quarteirões dali) era inviável. Mesmo se deixasse a bagagem no guarda-volumes, estava esgotado fisicamente. Resolvi economizar alguns euros (oito só para deixar as malas lá na estação), esperar o trem e me mandar para a Toscana. Aliás, da onde eu iria ficar até Roma eram apenas 15 euros, e eu poderia voltar em uma outra oportunidade, com mais calma. Assim deixei a capital italiana, rumo ao norte do país.
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