quinta-feira, junho 05, 2008
Dia confuso
A minha grande lamentação era não ter conseguido apresentar aos meus colegas o famoso 'Pintado à Urucum', prato muito famoso no Pantanal e extremamente saboroso. No nosso quarto coletivo (não havia quartos privados neste albergue), havia apenas um rapaz hospedado. Na verdade era um portuguê-californiano. Estranho não? Foi o que eu pensei quando ele começou a falar o português, e eu não conseguia me decidir se eu deixava ele continuar ou pedia para ele prosseguir em inglês.
De família portuguesa, o nosso companheiro de quarto tinha uma empresa de importação nos Estados Unidos. Ele importava iguarias portuguesas, tal como azeite, olivas e etc..., de uma empresa de sua família, em Portugal. Parecia ganhar bem. Estava em férias de seis meses pela América do Sul. O interessante foi a sua cara quando apresentamos o nosso roteiro e informamos que iríamos percorrer toda aquela distância em apenas 24 dias. "Um pouco apertado, não?", perguntou. A vontade era responder: "É porque existe uma coisa que se chama trabalho e que nós precisamos voltar a praticá-lo no início do mês que vem". Enfim, ficou na vontade.
Dei a idéia a todos de irmos até a Bolívia pela manhã. Em Puerto Quijarro há uma Zona Franca (um pequeno shopping), onde se vende muito produto interessante (importados e locais) por preço geralmente reduzido. E nós precisávamos nos preparar para as 16 horas de viagem no Trem da Morte, até a cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra. Com quatro de nós optando pela visita à fronteira (a Lorena preferiu ir tirar fotos no porto), partimos rumo a praça principal para tomarmos o ônibus até a alfândega.
Como demorou este ônibus! Lembrei do transporte coletivo de Goiânia, os incontáveis problemas e a falta de vontade de resolvê-los, tanto pelo poder público como pelas empresas que monopolizam o sistema. A cada minuto que passava, a minha ansiedade aumentava, já que o trem sairia às 16:30 e até lá tínhamos ainda muitas coisas para fazer. Depois de mais meia hora de espera, um ônibus anunciando "Fronteira" parou em nosso ponto e várias pessoas entraram.
A viagem foi rápida. Em no máximo 15 minutos estávamos diante da ponte que demarca oficialmente a divisão política entre Brasil e Bolívia. Era o primeiro marco na nossa viagem. Enquanto eu pensava isto, notei que um grupo de três meninas bolivianas desembarcaram junto com a gente e caminhavam rumo a Bolívia. Todas estavam muito bem trajadas, com um impecável uniforme escolar. Os livros embaixo dos braços não deixavam dúvidas - estavam vindo da escola. Detalhe: as três moravam na Bolívia e estudavam em uma escola brasileira. Cruzavam aquela fronteira todos os dias. Foi o suficiente para contem minha empolgação (rs).
A rotina das graciosas gurias pode até passar a impressão de que a fronteira é um lugar tranquilo, mas, acreditem, não é. Por ali todo o cuidado é pouco, principalmente para quem está levando quantias consideráveis em dinheiro. Contudo, também não é necessário se preparar para um campo de batalha. É só evitar dar bons argumentos para que alguém possa ver você como uma boa alternativa de vítima de saque.
Já em solo boliviano pegamos um táxi. Um carro velho, dirigido por um rapaz com feições tipicamente bolivianas. Por dentro havia bajulaques de todas as espécies, presos aonde nem se imagina. A felicidade imperava na cara do taxista. Ele nos explicou que naquele dia, nem um antes, nem um depois, naquele MESMO DIA QUE ESTÁVAMOS PASSANDO POR LÁ, o presidente da Bolívia, Evo Morales, iria visitar a região. Visivelmente era o evento do ano na cidade, já que durante todo o caminho, o motorista buzinava para moradores que estavam nas ruas e balançava uma bandeira em apoio ao presidente. Era perceptível que Morales era querido por lá, pelo menos pela maioria.
Andamos pela Zona Franca, compramos e comemos uma comida muito boa, em um restaurante por quilo. Dias depois ninguém me tiraria da cabeça que esta cozinheira era brasileira. Na volta pegamos mais um táxi boliviano, que nos levou de volta até a fronteira (eles possuem um acordo com os taxistas brasileiros - eles não trabalham no Brasil e os brasileiros não fazem corridas na Bolívia). Desta forma, cruzamos a ponte a pé e pegamos um outro táxi, já em solo brasileiro. É claro, todas estas corridas tiveram antes uma grande sessão de negociações, para fechar um preço fixo. Vale lembrar que o preço boliviano é MUITO menor do que o brasileiro.
Dentro do táxi brazuca, pudemos ver que a diferença ia muito além do preço. Além do carro ser bem novo, internamente era muito bem organizado. O motorista guiava tranquilamente o seu táxi, diferentemente da festa que fez o nosso ex-motorista boliviano. Para fechar a comparação com chave de ouro, no táxi boliviano tocava uma música típica alta, enquanto que no brasileiro um sambinha tranquilo dava o tom do ambiente. Perfeito. É exatamente este contraste que caracteriza a diferença de dois países com culturas tão distintas e evidenciados tão claramente naquela região, já que fisicamente estes dois universos estão muito próximos.
Chegamos ao albergue. Pronto. A partir daqui foi uma correria tão grande que se for contar todos os detalhes, pode apostar que vou amanhecer escrevendo. Então, vamos resumir. Na portaria, ficamos sabendo que o rapaz de quem compramos as passagens ainda não as havia deixado no albergue, conforme combinado. Tudo bem, precisávamos ir no centro, passar no banco, antes de arrumar as coisas e partir para a fronteira. Nosso medo era atrasar na imigração boliviana, onde teríamos que carimbar os passaportes.
Demorou um pouco, mas Alberto chegou com as nossas passagens em mãos. Tudo certo (graças a DEUS, novamente), exceto que ainda precisava chegar o nosso transporte de volta a fronteira, combinado na hora da compra. Enquanto isto, terminamos de arrumar as malas e partimos para o centro, rumo ao banco. Na volta, uma caminhonete velha, acoplada em uma carreta-leva-turista (aquelas que possuem bancos para que os turistas possam fazer city tour sentindo o vento no rosto), estava estacionada na porta. Quando vi, não acreditei que iriam nos levar naquilo. Aff. Mas enfim fiquei quieto. O que eu mais queria era embarcar rápido no trem e relaxar depois de toda a correria.
Subimos todos com as suas respectivas mochilas e o jeito foi aguentar a vergonha da exposição. Para piorar, quando chegamos na estrada, uma operação tapa-buracos estava atrasando o trânsito que seguia sentido fronteira. Pra quê? Nesta hora, o motorista do caminhão ('terceirizado') começou xingar tudo, falou que estava atrasado e nos ameaçou deixar no meio do caminho. Ainda bem que o Alberto estava com a gente e acalmou o homem. Para relaxar, o motorista colocou uma música velha dos anos 70 (não me lembro qual, mas era famosa). Foi o suficiente para que duas de nossas companheiras começassem a dançar, mesmo que timidamente, na carreta aberta. Pararam logo que foram saudadas pelo pessoal que fazia a obra na estrada.
Chegamos na imigração. Tudo certo? Que nada, mais problemas. Por causa da visita de Evo Morales, a imigração não abriu no período da tarde. A situação nos deixou em um dilema - ou esperávamos para ver se alguém viria nos acudir, ou então entrávamos ilegal na Bolívia. Com todo o respeito que a Bolívia merece, não me agradava esta última idéia. Contudo, estava disposto a colocá-la em prática, principalmente porque todos os bolivianos ao redor da imigração nos dizia que não teria problema algum. "Vocês carimbam quando chegarem em Santa Cruz. Expliquem que o presidente estava aqui, não vão fazer nada", falou um boliviano com quem conversei uns vinte minutos, esperando alguma ação das autoridades de fronteira.
O relógio se aproximava das quatro horas da tarde (lembrando que o nosso trem sairia às quatro e meia). Uma fila já estava formada frente a imigração, com brasileiros e outros gringos. Quando faltavam apenas cinco minutos para a hora cheia, decidimos que quatro horas seria o nosso 'deadline'. Faltando um minuto para o horário, eis que surge a notícia - iriam abrir a imigração para carimbarem nossos passaportes.
A partir daí foi uma correria. Isto porque tínhamos que preencher uma ficha longa e, em seguida, o policial batia o carimbo. Tanto nós (que íamos pegar o trem), quanto eles (que queriam ver o Evo) estávamos loucos para sair dali. Na correria eu esqueci uma sacola com a comida para a viagem, que havia comprado na Zona Franca, mas só iria notar mais tarde. Certamente serviu de lanche para as autoridades bolivianas, no dia seguinte. Combinamos com duas gringas para dividir o táxi até a estação. Desta forma, pegamos dois táxis. Quanto já estava prestes a escalar as escadas da estação (e realizar um sonho antigo de embarcar no Trem da Morte), eis que surge uma voz pedindo ajuda.
Me virei e vi a Lorena discutindo com um dos taxisistas. Não vou entrar no mérito, mas via que um não entendia o outro. Cheguei e vi que era apenas um mal entendido. Contudo, os dois não pararam com a troca de palavras acusatórias. Foi quando o motorista levantou a mão como se fosse dar um tapa na nossa amiga. Parou no ar, principalmente porque um amigo boliviano fez o 'deixa disso'.
Novamente me coloco em posição, e começo a subir as escadas. Nos últimos degraus levo um tropeção e quase caio de boca no chão. Penso: "DEUS, quem poderia imaginar que seria tão conturbado assim?". Mas ainda era pouco. Chegando na porta de embarque (uns 5 minutos para a partida), mais um problema. Tínhamos que pagar a taxa de embarque, de dois bolivinos por pessoa, mas, nesta hora, lembramos que, com a confusão, não havíamos feito câmbio. Não titubeei. Vi que o total daria dez bolivianos e passei a minha nota de estimação (que havia trocado uma outra vez que havia estado por aquelas bandas). A falta de dinheiro boliviano, porém, iria nos render uma noite sem comida no trem, o que descobríriamos apenas mais tarde. Foi nesta hora que percebi que a sacola com as minhas provisões já não estava em minhas mãos.
Mapa do Caminho - Dia 3
Data: 05/06/2007
Saída: Corumbá (MS), Brasil
Chegada: Santa Cruz de la Sierra, Bolívia - no dia sequinte
Distância percorrida no dia: 662 km
Empresa de trem: Ferroviaria Oriental
Duração da viagem: +- 16h
Tarifa: R$ 50,00
quarta-feira, junho 04, 2008
Na Fronteira
Se você for para Campo Grande, minha sugestão é que não pegue este ônibus, mas sim a linha direta entre Goiânia e Campo Grande, da Expresso São Luiz. Já viajei neste também, e digo que é mais sossegado. A turma do pagode não foi um problema tão grande, mas acabou estorvando um pouco, principalmente de manhã. Quando a viagem passou das dez horas, as intermináveis conversas entre os membros e o vai-e-vem entre as poltronas do ônibus fizeram com que eu desejasse chegar a capital sul-matogrossense o mais rápido possível.
Vale lembrar que o grupo ocupou grande parte das poltronas e entupiu o bagageiro inferior (um dos motivos do nosso atraso, em Goiânia). Como se não fosse o bastante, alguns integrantes falavam por meio de ecos. Não ficavam feliz em chamar uma pessoa pelo nome, como, por exemplo: "Ei, Vladimir!". O faziam desta maneira: "Ei, Vladimir-ir-ir-ir". Mas também ganharam um ponto extra de paciência comigo por terem se comportado bem durante a noite.
Chegamos a Campo Grande por volta das oito da manhã. Como nosso próximo ônibus saía apenas às 10:30, resolvemos procurar algum lugar para tomar café-da-manhã. Foi então que tive o primeiro contato com o peso da minha mochila. Engraçado que quando vemos fotos de mochileiros carregando suas mochilas, não pensamos o tanto que é desagradável carregá-la cheia de coisas (rs). Colocamos a dita cuja nas cotas (suspiro) e deixamos a rodoviária.
Para quem não conhece Campo Grande, é bom explicar que a sua rodoviária parou no tempo. É resultado de um projeto velho de rodoviárias, onde os ônibus se movimentam embaixo (tipo um sub-solo, mas aberto às ruas), enquanto que os guixês ficam na parte de cima. Soma-se ainda o precário estado de conservação que o prédio se encontra, multiplicando pelo fato que não há nenhuma lanchonete ou restaurante que valha a pena.
Desta forma, fomos procurar algum lugar decente nos arredores. Encontramos uma boa padaria, não muito longe dali. O problema foi carregar a bagagem. Era o primeiro dia, e os meus músculos ainda não estavam acostumados com o esforço. Além disto, andamos mais que o dobro do necessário, perguntando daqui, procurando dali. Após alguns salgados na barriga, voltamos.
Quando chegamos novamente na rodoviária, já eram dez horas. O nosso ônibus já esperava na plataforma. Que bom! Corri em sua direção, não vendo a hora de despachar a mochila. Apenas o primeiro 'sofrimento' de muitos, rs. Entramos, e ficamos esperando a partida, rumo aos últimos quilômetros de Brasil.
Foi muito bom me deparar com um ônibus mais novinho e limpinho do que o da Nacional Expresso. Aliás, tenho um pouco de birra com esta empresa. Pela sua grandeza, deveria ser bem melhor. A minha opinião foi justificada no Peru, mas esta é outra história que conto nos próximos capítulos.
A medida que deixávamos Campo Grande para trás, o Pantanal começava a mostrar a sua cara. Não foi um dia muito feliz para ver animais pela janela do ônibus, mas deu para observar alguns tucanos e outros tuiuius. Fora isto, a estrada de Campo Grande a Corumbá causa ansiedade. Não há grandes cidades e a distância de uma para outra é muito grande. Paramos em Miranda, pra lá das duas da tarde, para almoçar.
Foi a primeira (e última) vez que minha mãe me ligou (porque o telefone não pegou mais depois da fronteira). Queria saber se eu já havia chegado a Corumbá. Estávamos na metade do caminho ainda. A sua previsão, porém, não era absurda. Isto porque o planejado era pegar um ônibus mais cedo, em Campo Grande, mas o atraso do primeiro trecho nos impediu. E mais um atraso no segundo trecho, fez com que chegássemos à fronteira já no cair da noite.
Só para constar, toda vez que estou chegando a Corumbá me impressiono com algumas montanhas que há ao lado da estrada, há poucas dezenas de quilômetros da cidade. Acho muito bonitas. Descemos do ônibus e o clima de Bolívia já começou a dominar o ambiente. Vários 'operadores turísticos' nos abordaram perguntando se iríamos pegar o famoso Trem da Morte, até Santa Cruz de la Sierra. É claro que o tamanho das nossas mochilas entregava que éramos turistas, e isto fez com que a insistência crescesse. Não dei moral para nenhum deles e distribuí vários: "Não, obrigado!".
Só que ao chegar ao albergue, não pudemos mais disfarçar. Precisávamos das passagens para a cidade boliviana e, naquele momento, tinhámos duas opções. Ou esperávamos até o dia seguinte, para ir a Puerto Quijarro (cidade fronteiriça, de onde saem os trens) comprá-las, ou íamos atrás dos 'agentes'. Dois fatos acabaram pesando na nossa decisão em optar pelo segundo caminho - se deixássemos para o dia seguinte podería não sobrar mais nenhum bilhete, e isto seria fatal para o nosso planejamento já que perderíamos um dia inteiro na fronteira e, certamente, não chegaríamos a Uyuni a tempo para o nosso passeio (já reservado) no Salar. Além disto a recepcionista do albergue nos garantiu que indicaria uma pessoa de confiança para fazer a venda.
Fomos até a 'agência de turismo', uma salinha que não cabia mais do que quatro pessoas. Lá encontramos o Alberto (nome fictício) que tirou uma cópia de nossos passaportes e cobrou R$ 50,00 por cada passagem. Como éramos um grupo grande, ficou de nos arrumar um meio de transporte até a fronteira de fato (uns 5 km de Corumbá). Enquanto fazia as cópias, começou a nos contar histórias do caminho que íamos fazer. Nos recomendou cautela: "Cuidado com os bolivianos que oferecem serviços". E eu lhe disse: "Não dou bola, digo 'não', viro a cara e sigo o meu caminho". E ele emendou: "Que nem você fez comigo lá na rodoviária, né?". Foi daí que me lembrei que tinha passado por Alberto na nossa chegada a cidade e aprendi uma coisa - em Corumbá, turista nenhum passa despercebido.
Mapa do Caminho - Dia 2
Data: 04/06/2007
Saída: Campo Grande (MS), Brasil
Chegada: Corumbá (MS), Brasil
Distância percorrida no dia: 435 km
Empresa de ônibus: Viação Andorinha
Duração da viagem: +- 6h30
Tarifa: R$ 64,00
terça-feira, junho 03, 2008
Largada
Preferi dar um até logo a minha casa, como se fosse voltar dali a três horas. Não é confortável pensar que você vai passar tanto tempo sem poder desfrutar da tranquilidade do lar. Ainda mais, embarcando para um destino onde não sabía ao certo o que me esperava. Nesta hora o melhor é focar na parte positiva. Era o meu segundo dia de férias, e eu iria poder gozar de uma noite inteira viajando dentro de um ônibus, ouvindo músicas e pensando na vida. Tem horas que não há nada melhor.
Na rodoviária, o desafio era manter a calma. O que não foi difícil porque aos poucos foram chegando as pessoas. A primeira foi Lucimeire, amiga que deu o empurrãozinho necessário para que a viagem ocorresse. Ao seu lado, o seu irmão ainda em dúvida se a irmã estava fazendo realmente a melhor opção de encarar aquela jornada.
Aos poucos a plataforma foi ficando cheia. Rodrigo chegou com a Erika. O Fagner trouxe a Marina. Meus pais ficaram na espera até a saída do ônibus. A Lorena chegou por último, contrastando com o fato de que foi a primeira que comecei a combinar a viagem. O Hebert também apareceu para nos desejar boa viagem. Também havia outras pessoas, mas como tenho dúvidas não arriscarei nomeá-las. Enfim, uma pequena multidão. Lembro da foto tirada do grupo, que nunca chegou às minhas mãos (quem tiver, por favor, me envie, rs!).
A anciedade diminuiu com as conversas. Nem lembrava para onde estava embarcando quando entrei no ônibus. O certo é que até a natureza conspirou para que o momento fosse único. Tanto que foi difícil acreditar que, logo que o ônibus deu partida, começou a cair uma chuva fina que durou uns 15 minutos. Quem conhece Goiânia sabe que é um fato quase impossível para a época do ano.
Era só comemorar. Durante algumas horas o papo foi animado entre a gente. A capital goiana foi ficando para trás, na mesma proporção que a noite ficava mais densa. A primeira parada foi em Indiara (GO), em um posto da região, onde a atendente serviu um 'capuccino' muito peculiar para a Lucimeire - colocou café, leite e, já que estava correndo para atender todo mundo, entregou o copinho e pediu para a nossa companheira ficar mexendo até dar consistência. Certamente uma nova forma de interação entre cliente-empresa, onde ambos participam das etapas de produção do produto final.
Mapa do Caminho
Data: 03/06/2007;
Saída: Terminal Rodoviário de Goiânia (GO), Brasil;
Chegada: Campo Grande (MS), Brasil - no dia seguinte;
Distância percorrida no dia: 906 km, no percurso total entre as duas cidades;
Empresa de ônibus: Nacional Expresso (linha Brasília (DF), Brasil - Assunção, Paraguai)
Duração da viagem: +- 15 horas
Tarifa: R$ 121,38 + R$ 1,98 (Taxa de Embarque)
A Jornada - 366 dias depois
A viagem foi uma jornada terrestre de Goiânia até Lima, no Peru. O ponto alto foi a visita às ruinas de Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas. Tive ajuda de quatro amigos, que toparam participar da jornada. Juntos vivemos experiências como uma família - vibramos nas partes boas, ajudamos uns aos outros nas difíceis e batemos boca nas horas mais quentes. Ou seja, foram 24 dias de um emaranhado de sentimentos distintos. No final, a certeza de que vivemos um banquete completo de novas experiências, tanto físicas como mentais.
Logo no início, mudei meus planos. Anteriormente decidido a relatar os principais fatos, já nos primeiros dias de estrada desisti de tomar notas e preferi mergulhar na essência daquilo que vivia, sem me preocupar em escrever. Apesar de ser simpático da idéia de gastar folhas e folhas de caderno em narrações de viagens, escrever, naquele período, significava não dar férias a minha mente, já que se confundiria com a minha profissão. E era justamente disto que precisava me afastar por uns dias. Não me arrependi.
Contudo, depois de 366 dias da largada no Terminal Rodoviário de Goiânia, por que não tentar passar para o papel (no caso, virtual) algumas das minhas impressões? Além de compartilhar um momento muito interessante da minha vida, aproveito a oportunidade para treinar, pois espero ter muito o que relatar nos próximos anos. Meu objetivo é escrever pequenos textos diários, fazendo um acompanhamento em 'tempo-real', exatamente um ano depois de que tudo ocorreu.
Se eu falhar algum dia, por favor me perdoem. Atualização diária é um desafio na vida de qualquer pessoa, mesmo aquelas que possuem na palavra o seu meio de sustento. Mas é um desafio que, a partir de agora, eu aceito.
Boa leitura a todos!
domingo, abril 27, 2008
13 sinais da necessidade de férias
Você está precisando de férias quando:
1 - Começa a achar que sua vida é uma irritante repetição;
2 - Liga o carro e, quando percebe, já está a caminho do serviço;
3 - No domingo já passa a mirar o próximo final de semana;
4 - Tudo que você faz é pensando no próximo feriado;
5 - Tem a lista de feriados decorada na cabeça;
6 - Acorda de manhã e pensa: “Que bom será quando me deitar a noite”;
7 - Acha que todo o final de semana precisa ter de três a cinco dias;
8 - Passa a se empolgar com ‘viagens’ a Trindade, Senador Canedo ou Aparecida de Goiânia (para quem mora em Goiânia);
9 - Faz contagem regressiva até as próximas férias;
10 - Calcula que faltam X meses para as férias e, depois de uma semana, refaz os cálculos e fica revoltado por ter chegado no mesmo resultado;
11 - Seus sites preferidos são agências de turismo, páginas que contêm informações de outras cidades, estados e países e empresas aéreas;
12 - Fica com vontade de arrumar as malas;
13 - Entra em êxtase quando chega o dia do vencimento das suas férias, mesmo que, na prática, você só poderá tirá-las seis meses depois;
quinta-feira, abril 17, 2008
Rotina, não-rotina e liberdade
Estava atualizando o meu blog de futebol e pensei em dar uma passada por aqui. Mesmo porque, como disse, são duas coisas diferentes. Aqui a liberdade é muito maior. E lá? Ah, lá a gente tenta seguir uma forma, aquelas coisas chatas que aprendemos na faculdade e que aplicamos no mercado de trabalho para sobreviver. É claro que é muito bom escrever lá também. Como aqui. Mas, como coisas diferentes, são prazeres diferentes.
Aqui o texto corre mais solto. Posso ficar teclando para o eterno sempre. Risos. Pera lá, tá bom, não vou fazer isto. Mas a liberdade é muito maior.
Até por isto, muitas vezes, fico sem assunto. É engraçado que, quanto mais temos liberdade, mais as coisas entram na rotina e daí.... Daí já era. Entrar na rotina é o primeiro pré-requisito para alguma coisa não existir mais. Você até faz esta coisa, mas fica tudo mecânico, sem nenhum prazer.
Fugir da rotina também não é solução. O nosso corpo precisa da rotina. Rotina é sinônimo de segurança. Não ter rotina é não ter segurança e cria uma insegurança no nosso ser. E viver inseguro, lhe garanto, não é nada bom. Então a vida tem de ser um misto de rotina com uma dose cautelosa de aventuras fora da rotina.
Vixe, olha só onde cheguei. Acabei deixando para o final aquilo que queria dizer. Na verdade, não foi o motivo principal deste post, mas já que estamos aqui.... Ah não é nada de importante. Enfim, to pensando em algumas séries para este blog. Penso em passar algumas experiências que tive até o momento na minha vida. Será legal registrar aqui e comparar depois. Para breve.
domingo, abril 06, 2008
Divagações
Foi bom mesmo ter que esperar um pouco para me deitar. Eu que pensei que não ia comer mais nada hoje, acabei tendo que fazer uma boquinha. E, sabe né, pessoa com gastrite é aquele drama: comeu e deitou antes da hora pode preparar o espírito para aguentar a azia.
Cá entre nós, foi uma boquinha para lá de 'meia-boca'. Leite com pão-de-queijo duro, ninguém merece. Sabia que ia ficar com fome. Também depois daquele pão envenenado, que me impediu de me esbaldar na picanha. Raios de quem tacou a mão no bicabornato de sódio. Nunca mais como aquele pão.
O positivo é que enquanto tentava engolir o pão-de-queijo (que tava mais para quebra-queijo), fiquei pensendo em um nome para completar o projeto. Mas só quando fui para o quarto é que meu cérebro concluiu: "É este!!". Taí, agora já não falta mais nada. Ok, falta escrever, mas isto a gente vai fazendo aos poucos. Já cansei de não ter o que falar. Agora já não há mais desculpas mesmo.... Ah, decidi.... Vou mesmo ver a Fórmula 1!!
sexta-feira, março 28, 2008
Jogo Diplomático
O detalhe é que do início do ano para cá eu postei apenas um texto. Foi sobre a imigração na Espanha, assunto bastante discutido na mídia durante o mês de fevereiro. Para mim tudo relacionado a isto é interessantíssimo, já que aprecio muito as relações internacionais. É intrigante notar como que as eleições de um país distante podem mudar a vida (no caso leia-se atrapalhar) de brasileiros que querem ir para a Europa (ou espanhóis vindo ao Brasil).
O engraçado é que ninguém costuma levar muito a sério a fiscalização de fronteiras nos aeroportos. A excessão, talvez, seja os Estados Unidos da era Bush, com o medo contínuo do chamado "terrorismo". Apesar do caso recente, os países europeus são menos rigorosos, e às vezes pegam alguns "bodes" espiatórios. Basta ver o relato de um monte de pessoas que vão sem os requisitos mínimos para adentrar a União Européia e passam numa boa.
No caso da Espanha, a eleição marcada pelo polêmico debate sobre a imigração no país fez com que o governo espanhol endurecesse o jogo. Mais engraçado de tudo, foi ver o Brasil ativar a política de reciprocidade e barrar espanhóis que vinham ao nosso país sem possuírem os minímos necessários para passar pela imigração.
Não há como condenar quando pessoas são barradas por não cumprirem a lei, seja onde for. O difícil é ver que dezenas de pessoas (brasileiros e espanhóis) foram usados como peões em um jogo político mais complexo. Passadas as eleições espanholas e a vitória de Zapatero, é inevitável notar que tudo voltou ao normal. E o assunto 'imigração' saiu da pauta da imprensa (principalmente televisiva) tão rápido como entrou.
segunda-feira, março 10, 2008
Folha manda repórter 'testar' imigração espanhola
Creio que o motivo incial da reportagem era mostrar como os brasileiros barrados no aeroporto de Barajas, em Madrid, eram tratados, já que o repórter nem mesmo preencheu corretamente a ficha de imigração. A reportagem é bastante interessante, confira o início: (o conteúdo completo só está disponível para assinantes Folha ou UOL)
"Entrei na Espanha e já consegui emprego"
Repórter da Folha teve de responder a uma só pergunta da imigração ("o que veio fazer aqui?") para entrar no país
Menos de 24 horas bastaram para conseguir um emprego de garçom na Espanha, ganhando cerca de 800 euros mensais (R$ 2.032)
ANDRÉ CARAMANTE
ENVIADO ESPECIAL A MADRI
Sem declarar o endereço do lugar onde pretendia ficar hospedado e mesmo sem informar se tinha um local para ficar, sem preencher corretamente a ficha de imigração exigida pela Espanha para os estrangeiros que tentam entrar em seu território, sem dizer quanto portava em dinheiro e sem o obrigatório cartão de seguro de saúde para turistas.
Foi dessa maneira, sem esclarecer todos os requisitos exigidos pela Espanha para liberar a entrada de estrangeiros em seu território, que a reportagem da Folha, sem se identificar como tal, entrou sábado no país. Mais do que isso: conseguiu emprego em menos de 24 horas.
O desembarque ocorreu no aeroporto internacional de Barajas, em Madri, por volta das 10h30 (6h30 no horário de Brasília), no vôo JJ 8064, da TAM, que deixou São Paulo sexta-feira à noite.Para conseguir o carimbo de autorização de entrada na Espanha, bastou a reportagem responder a uma única pergunta ao agente de "La Migra" espanhola que ocupava, no sábado, o guichê número sete da imigração em Barajas. "O que o senhor veio fazer aqui?", foi a dúvida do agente. "Turismo."
veja a matéria completa
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Nova Divisão
Resolvi, novamente, dividir os assuntos do meu blog. Desta vez é para o 'eterno sempre', rsrs. Neste blog eu continuarei a escrever textos relacionados ao cotidiano e outros assuntos de tema livre. Já a parte esportiva eu passarei a comentar no meu antigo blog de futebol - http://www.nagrandearea.blogspot.com/, que será reativado. Em ano olímpico, também darei espaço para os outros esportes. Ah, naturalmente, a atualização deste blog será mais lenta do que a do outro. Isto porque usarei duas táticas diferentes. Aqui, a minha intenção é dar espaço a textos mais elaborados. No 'Na Grande Área', pretendo atualizar mais, mas com textos mais simples e rápido. Então, como sempre, fico aguardando os comentários de todos, agora em dois blogs.
Um grande abraço!!


